Terça-feira, 31 de Maio de 2011

Da inutilidade dos votos

 

Há uma clara mistificação, que persiste no nosso imaginário eleitoral.

O da "utilidade" dos votos.

Diz-se, à esquerda extrema, ou à extrema-direita, que os votos no PCP, no BE e no CDS são úteis, por que...

E cada um desses agrupamentos sustenta, à força de argumentos, nem sempre de fino recorte analítico, a sua "esmagadora" tese.

Os bloquistas "para darem foça à esquerda de verdade"; os comunistas para "castigarem a direita e os socialistas"; o CDS para "darem força à competência e ao trabalho".

O meu amigo João Tunes, esse, argumenta, hoje, deste modo:

«Não sou excepção. E, face às sondagens, eu voto útil votando Bloco de Esquerda. Nas esquerdas, o Bloco é o único partido que mostra estar em estado de necessidade, pois o PCP conserva a fidelidade das suas hostes à egolatria escapista do leninismo senil do protesto metódico, ritualizado, burocrático e inconsequente e o PS vai ter muito mais que aquilo que merece. Acresce que a resistência às trovoadas de direita que se avizinham necessita do espaço de uma das vias de reconstrução da esquerda que o Bloco, apesar de tudo e tanto, ainda poderá vir a ser (sobretudo a seguir a um PS liberto de Sócrates). É só, o suficiente, aquilo que a utilidade, medida em função das sondagens, pode dar

Pode confirmar aqui.

Então vamos ter trovoadas de direita?

Comparado com o que aí vem, o Sócrates, esse, provocava o quê? chuva miudinha?...

Então o BE, "uniu-se", aos comunistas, aos sociais-democratas, aos populares de Portas, quando chumbaram o PECIV, para...provocar trovoadas de direita?

Então se o BE prefere fazer "alianças" com "os escapistas leninistas", tendo em conta a reunião havida com o SG do PCP, recentemente (para concertarem convergências parlamentares e não só...) e, pontualmente, para provocar "trovoadas" aconchegando-se às direitas, qual a utilidade que se pode emprestar ao voto no BE?

Não teria sido melhor esperar mais dois anos, mais dois orçamentos de "centro-esquerda", e, depois, no tempo certo, correr com o Sócrates?

Não terá sido para isso, que os eleitores votaram, em 2009, retirando a maioria absoluta aos socialistas e gratificando o BE com a melhor votação de sempre?

Em 2011, a 5 de Junho p.f., como vai ser? Talvez uma desgraça, para a esquerda.

Provavelmente, o PS ficará em segundo lugar.

Passos Coelho ganhará as eleições (a crer nas sondagens...).

O CDS, tudo o indica, vai ter uma votação quase histórica (perto dos 15,98% de Freitas do Amaral, nas primeiras legislativas de 1976).

O PCP, os da "egolatria escapista do leninismo senil", de certeza, manterão o seu eleitorado... 

O BE, esse, deve levar a maior trepa de sempre, em termos eleitorais.

Mas, vamos ao que importa.

A utilidade dos votos.

Um voto tem utilidade se servir para algo, para fazer, para concretizar, para condicionar assertivamente.

Os votos no BE, para o Parlamento, para que serviram? Para guinar a politica à esquerda? Para condicionar os socialistas em direcção à esquerda? Aqui, deve-se fazer também a pergunta aos comunas, que com o BE, mais o PS fizeram maioria absoluta de esquerda, no último Parlamento.

Os votos do BE serviram, de facto, e foram úteis às direitas, para apearem Sócrates e o seu governo.

Quando há crime, faz-se sempre a mesma abordagem: "a quem aproveitou?", "cherchez la femme", "sigam os trilhos do dinheiro".

Em politica é a mesma circunstância.

Quando o BE, utilizando os votos que recebeu, trocados em deputados, votava no Parlamento, quase sempre, era contra Sócrates e o PS.

Portanto, com um pedacito de sofisma, podemos garantir que, os votos no BE e do BE têm sido úteis às direitas e não às esquerdas socialistas.

Mas, talvez, esta seja a via para "a reconstrução da esquerda"...

Sempre que quiseram (há bué de exemplos históricos...) reconstruir a esquerda, partindo do pressuposto que isso só era viável com "a destruição dos mencheviques, dos sociais-democratas, dos socialistas democráticos, dos socialistas revolucionários"...as coisas acabaram mal e em tragédia.

Depois, singularidade portuguesa, desde quando uma salada de trotskistas, salpicada por estalinistas albaneses e adoçada por "comunistas" nortenhos dá uma alternativa crível, na esquerda do arco-íris partidário, para a "conquista" do poder? Num dia de S. Nunca à tarde, digo eu.

Eu, modesto combatente pela liberdade (a mais não aspiro) digo, simplesmente, dia 5 de Junho, voto PS, não porque seja útil, mas por que é necessário para barrar a direita.

Pode-se emprestar a mesma "utilidade" ao voto no Bloco?

Não me parece.

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publicado por weber às 12:05
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