Sábado, 3 de Setembro de 2011

De tão boa...

que nem carece de enquadramento,menos ainda de ser contextualizada ou, quiçá, desconstruída.

Falo-vos do texto do meu cronista-mor, que pode bisbilhotar por aqui.

O ministro que falava baixinho, é quase o metáfora dos tempos que correm.

Leiam-na inteira:

«O ministro Vítor Gaspar é um caso: é original. Estamos pouco habituados ao género. Percebeu, não sei se por truque ou se já veio assim de fábrica, que a maneira mais forte de falar é com voz baixa. E tem um tom monocórdico que, estranhamente, não é um apelo à sesta, sobretudo quando actua nas comissões parlamentares (nas conferências de imprensa, outro dos seus palcos, não brilha tanto). Entre deputados de voz colocada e tiradas de belo efeito, o seu contraste, com o tal fio de voz, causa tanto alvoroço como aos médicos e enfermeiros o risco sem picos de um coração que deixou de bater numa sala de operações. Vítor Gaspar fala baixinho e eu acordo. Acresce que além dessa forma de falar ele usa a ironia como não se está habituado ouvir num especialista dessa seca que são as Finanças. A dado passo, ontem, Vítor Gaspar disse: "Perdoem-me se falar um pouco mais devagar do que habitualmente." Claro que só apurou ouvidos. A um deputado que definiu Portugal como "protectorado", ele suspirou: "Protectorado... Eu escolhia antes dizer que vivemos uma situação de guerra contra a tirania da dívida." Pareceu que ponderava a justeza da palavra do adversário e varreu-a com uma frase tanto mais eficaz quanto sussurrada. A outro, que brincava com "milagre e mistério" das suas medidas, agarrou no alvitre: "Sim, fico por essa definição: milagre e mistério." Na hora do balanço saberemos se trabalhou bem ou não. Para já, é um caso

"Esta crónica regressa no dia 22", anuncia o meu cronista. Até lá, vamos estar à míngua de croniquetas e de retratos do quotidiano. 

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publicado por weber às 18:48
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