Segunda-feira, 30 de Abril de 2012

Os militantes do PBX e Vasco Lourenço

O semanário Expresso, que teve um papel de relevo no eclodir do 25 de Abril de 1974, e ainda bem maior nas batalhas que se travaram entre moderados, democratas e os comunistas de A. Cunhal e os esquerdistas da UDP, de Martins Rodrigues e os anarquistas bombistas do PRP e da LUAR, com as suas antenas militares, durante o período que vai do 1 de Maio de 1974 a 1976, com a eleição do General Ramalho Eanes para Presidente da República, decidiu, por três pretensas contundentes vezes, na sua edição de 28 de Abril de 2012, "arrasar" o Coronel Vasco Lourenço.

Vasco Lourenço é meu amigo e eu retribuo-lhe a amizade.

Considero-o um herói nacional, pelo seu papel central no 25 de Abril e no 25 de Novembro.

Hoje não temos assim tantos, que os possamos, levianamente, maltratar.

Contudo, dir-se-á, o Coronel pôs-se a jeito. Talvez. Não sei bem dizê-lo.

Mas, em bom rigor, não o creio.

Disse aquilo que Irene Pimentel e José Adelino Maltez tão bem sublinharam: "um murro na mesa".

Se há imagem que quadra bem com a personalidade de "D. Lourençote de melena e pá", na fórmula agreste, mas engraçada, de Vera Lagoa, é esta mesma do "murro na mesa". E eu sei do que falo.

Ele há uma coisa que me irrita solenemente.

É a critica aos meus amigos, e quando publica, pior ainda.

Quando a critica é razoável e justa, fico chateado. Quando é desajustada e mesmo a roçar uma certa desonestidade intelectual....ficou furibundo.

É o caso.

Veja-se e ouça-se o que disse o Coronel, Capitão abrilista, na gravação da RTP:

Vasco Lourenço e a situação politica em Portugal

"Os eleitos já não representam a sociedade portuguesa e temos que ser capazes de mudar a situação". Vasco Lourenço relembrou assim as palavras de Salgueiro Maia ao dizer que "é preciso por termo ao estado a que Portugal chegou".

Estas linhas estão agarradas ao vídeo do Canal estatal e resumem bem o que o homem disse.

Agora, vamos ver o que diz o Expresso, nas pessoas de Henrique Monteiro, de quem sou amigo, de Ricardo Costa e de Martim Silva, na rubrica Altos e Baixos, onde coloca o Coronel em último dos Baixos.

Henrique Monteiro afirma que Vasco Lourenço sustentou que os «eleitos já não representam o povo». Estive a escrutinar com atenção o que escreveu a Direcção da A25A e o que disse o Coronel e não encontrei lá esta frase. O rigor da citação é fundamental, por que, a sua distorção pode ser fatal, para quem cita e para quem se atribui a citação. E mais não digo.

Já Ricardo Costa, Director do semanário, mais prudente, menos truculento, sustenta: "Soares está a esquecer-se de que nos anos 80 o acusaram de estar a dar cabo de «espírito do 25 de Abril» e das suas conquistas. Mais ou menos do que Vasco Lourenço agora acusa Passos Coelho."

Pois. Em primeiro lugar, quem acusava Soares de tal, sempre foram os comunistas e os esquerdistas, otelistas e cia. Nunca os capitães de Abril lhe disseram tal. Depois, na polémica actual, em torno das ausências, nunca, na boca de qualquer dos homens do MFA ( e falaram Vasco lourenço, e Garcia dos Santos e Pezarat Correia) o nome de Passos Coelho foi sequer soletrado. O que foi enunciado assenta na linha do que o mais impoluto Capitão, Salgueiro Maia disse, e isso, Ricardo Costa, não reparou.

Quanto a Soares andar ao colo com Passos Coelho...uma pista para o Director do Expresso. Quanto custa sustentar uma Fundação, como a de Mário Soares? Isso pode explicar a simpatia, recorrentemente assumida para com o juvenil PM português.

Já Martim Silva, esse, passou-se dos carretos.

Ouçam-no a disparatar, falando do Presidente da A25A: (...) "Mas vir dizer que os deputados «já não representam o povo» e que não são os detentores da soberania é mais grave. Será que Vasco Lourenço entende que lhe cabe a ele definir quem é que representa o povo?"

Depois, ele há uma coisa engraçada, nenhum destes publicistas reparou, assinalou, que os representantes do PCP condenaram a posição e criticaram o Manifesto da A25A. Porque será?

Onde está a velha escola do rigor dos jornalistas, que obrigava a apurar, não só a escrita, mas ainda a ética que se emprestava, sempre, ao escrito.

Tanta pancada no homem que, meses a fio, durante o Verão quente de 1975, alimentou o Expresso de manchetes e noticias, em primeira mão, deve-se a quê? Á falta da memória, que se compreende em Ricardo Costa, juvenil escriba, mas que não se entende de todo em Henrique Monteiro. Ou haverá um pedaço de má consciência, vinda da sua juvenil militância revolucionária, nesses idos? Talvez, mas a ser assim, nada o justificava. Esta é uma hipótese, tão séria quanto outra qualquer. E subjectiva, claro, por que indemonstrável.

Isto faz-me recordar uma anedota que se contava sobre o louco estadista, que foi Vasco Gonçalves, homem de palha dos comunistas portugueses e que se narrava com pronúncia do Norte. "O homem não é português. Ele é búlgaro. Porquê? Por que só diz bulgaridades."

E mais não digo, por que me arrisco a mudar de nacionalidade.


publicado por weber às 13:19
link do post | comentar
partilhar

. ver perfil

. seguir perfil

. 8 seguidores

.pesquisar

 

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Os militantes do PBX e Va...

.arquivos

.tags

. todas as tags

.últ. comentários

Chame-me Parvo….Pois é, Sr. Pedro Tadeu, é isso me...