Domingo, 17 de Julho de 2011

Fim-de-semana

1/ Pois, sexta-feira, fomos, eu e a minha patroa, ao Teatro Aberto ver uma peça perturbadora, a PURGA, de uma autora, filha de pai finlandês e mãe estoniana, Sofi Oksanen, sem memória da ocupação soviética, mas ainda com familiares velhos vivos e com capacidade para recordar e lembrar.

A "narrativa" mistura, muito bem, os tempos, com recurso a metáforas muito operativas e centradas numa personagem fruto da decomposição do império soviético, que trouxe, com ela, o desaparecimento de valores, por muito maus que fossem os do passado, e a emergência de uma "amoralidade" larvar.

A droga dá dinheiro...pois lancemo-nos no negócio.

A prostituição feminina dá lucros fabulosos, pois mandemos as nossa mulheres para essa linha de fornicação e aviltamento.

A encenação, com recurso a meios simples, charriots, câmaras de filmar e écrans, onde se misturam imagens da época, com as dos actores do elenco...deveras interessante.

A trama ocorre na Estónia já independente, mas ainda ao tempo de Estaline, Nikita Kruchov , também...

Os actores são desiguais, mas a que faz de Allide (feita por Irene Cruz, quando velha e solitária...), creio que Patrícia André (mas, não estou certo...) é de um fulgor e de uma plasticidade, na expressão de sentimentos, em burburinho, de sublinhar.

A ver.

2/ Sábado fomos ao Aljube ver uma impressionante, quanto rigorosa, exposição sobre a história daquela cadeia, que foi de prisioneiros politicos ao tempo de Salazar. O rigor cientifico é garantido pelos melhores historiadores da nossa contemporaneidade, Fernando Rosas e Irene Pimentel.

As soluções gráficas, iconográficas e de cenografia, muito eficientes.

A mistura de depoimentos de ex-presos, alguns entretanto já falecidos, em suporte "filme", a escolha, pareceu-me de muito alto critério.

A aconselhar a visita organizada de grupos de jovens, que estjam a estudar este periodo da nossa história.

A ver.

3/ Pela noite de ontem fomos ao "CCB fora de si", ver e ouvir uma voz e uma artista de palco única.

Lura, uma das vozes mais coloridas de Cabo Verde, que já alcançou reconhecimento mundial. O momento em que esteve em palco com o nosso cantautor Sérgio Godinho...raro. Cantaram um letra do português e, ambos, cantaram uma cantiga em crioulo. A sala veio abaixo.

Pois, um fim-de-semana raro e cheio.

Ah, pela manhã fomos ao Castelo de S. Jorge visitar um notável amigo, que por lá se estabeleceu, na Casa do Governador a vender coisas nossas, portuguesas, para os turistas, aos milhares e ainda petiscámos, no Wine Bar do Castelo, do Nuno, que vi crescer e hoje tem sucesso neste negócio dos vinhos, queijos, enchidos, presuntos, compotas e pão caseiro.

Acho, mesmo, que Portugal, como destino, tem futuro.

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publicado por weber às 11:56
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