Quinta-feira, 6 de Outubro de 2011

Por que hoje estou zangado

fui recuperar um azedo texto, que dediquei, pelos idos de Abril de 2008 ao nosso Nobel da Literatura, de quem, comparando-se, dizia Agustina Bessa-Luís:- Eu escrevo bem melhor que ele.

Aqui está ele, impante e um pedaço pretensioso, mas não lhe mudo nem uma vogal, para não exercer censura histórica:

"José Saramago: critico?!

José Saramago, o nosso, vivo, único, Prémio Nobel da Literatura (e isto é prova de qualidade literária, ou ética, ou da análise que ele produza sobre o quer que seja?...) disse, ontem, na inauguração duma exposição, comissariada por um cidadão espanhol, sobre a sua vida, sonhos e obra, que se encontra no Palácio da Ajuda, e cito:
"Em Portugal não temos espirito crítico: estamos aborregados."
Eu acho que, como dizia Goethe, a "ignorância activa" é do pior que há e é muito perigosa!
Saramago, desde que eu o recordo, sempre foi convencido,snob,e sustentando, sem nunca o enunciar, que a "humildade" faz mal à saúde. Mas, em meu entender, desta vez, espalhou-se ao comprido!
Quem é o "sujeito" que Saramago esconde atrás de "temos"? e o sujeito que ele sugere, mas não lhe atribui nome, na vizinhança de "aborregados"? Saramago, por puro marketing editorial e comercial "pirou-se" para Lanzarote (não o fez como o nosso Teixeira Gomes, que desistiu de ser presidente da República e foi para a Argélia, onde morreu; não o fez como António Machado, que se exilou em França,onde veio a morrer,na enxurrada provocada pela derrota da República Espanhola às mãos das hordas assassinas da Falange franquista.)Não. Saramago foi para Lanzarote...porque sim! E ninguém tem nada a ver com tal decisão pessoal, do foro intimo do senhor. Contudo, já sobre as suas invectivas perorantes, no espaço público, sobre essas "posso" e "quero" falar. Lanzarote fica longe? Portugal, o de 2008, é inacessível? É difícil ter notícias rigorosas da Pátria? Quantas manifestações se realizaram nos últimos meses, em Portugal, nos vários sectores, sociais e profissionais (professores, função pública, policias, militares, antigos combatentes, industria automóvel, têxteis e etc.)criticando o Governo, os empresários, as chefias militares e policiais? No Parlamento, as várias oposições quantas e reiteradas vezes, criticaram o governo, os Ministros e os Secretários de Estado? Os jornais, as Rádios, as cadeias televisivas, quantas vezes criticaram a Justiça, os governantes, os políticos? Os criticos literários, asseguraram as recensões dos livros, mas quem critica, séria e qualificadamente aqueles? Poucos, mas a excepção encontra-se representada por António Guerreiro de O Expresso, que muito prezo! A democracia portuguesa, tirante alguns aspectos menos edificantes, está a funcionar e não se porta mal, mesmo em confronto com as democracias europeias mais antigas e consolidadas. Então onde é que Saramago foi descobrir o deficits de critica e o aborregamento? Depois de pouco pensar (Saramago, para mim, não vale sequer uns sapatos de defunto...)descobri: no Partido Socialista e, claramente, no Partido Comunista Português, seu partido de sempre... Diga-se, por amor à verdade que, no PS sempre se consegue descobrir umas vozes, mais ou menos criticas (Alegre, Ana Gomes, Cravinho, o Neto dos moldes, Mário Soares e mais uns quantos). Mas, aqui, o facto do PS estar no poder, com maioria absoluta, leva outros putativos críticos (António José Seguro, Manuel Maria Carrilho e ou até joão Soares...) a deixarem-se silenciar, mas lá estão à espera da "oportunidade". Sim, porque, a critica, também carece de circunstâncias. E o PCP? Onde está a critica e os criticos? Será que foi para este grémio que Saramago escolheu o "estamos aborregados"? Talvez. Quem sabe?... Saramago saberá quem são os "sujeitos" que se escondem atrás da critica que fez,mas que, por via disso, ficam sem objecto! Uma tentativa mais: será o Povo português?!... Bem dizia Óscar Lopes, o linguista do Porto, militante, de sempre, do PCP, que não gostava muito da ficção de Saramago, porque ela denotava, nomeadamente, uma enorme incultura filosófica. Estará aqui a explicação para a boutade, para a pesporrência de Dom Saramago? Talvez. Glosando o Rei de Lanzarote, sempre digo : "Porque no te callas?! Glosando Almada Negreiros, no seu manifesto anti-Dantas: " O senhor Saramago não é português. Pum!O senhor Saramago é espanhol. Pum! Pimba!"
PS - O senhor Saramago conhece a blogoesfera portuguesa? E, já agora, en passant, conhece o espantoso blog cubano Generacion Y?Quer mais espírito crítico, quer mais desalinhamento do que neste espaço de liberdade e pluralismo?!Quer menos "aborregamento" do que neste território de confronto, ácido, às vezes, aqui e acolá, insultuoso, mas sempre crítico, sempre a fustigar quem se escolhe para alvo! Hoje calhou-me em sorte, e com vontade o faço, escolher Dom Saramago para o fustigar, CRITICAR: então não foi usted que pediu um "Porto Ferreira"? Que se pôs a jeito para ser criticado? Eu tenho espírito critico e não estou aborregado. Não lhe parece, Dom Saramago?!"
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publicado por weber às 15:01
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