Sábado, 3 de Setembro de 2011

Religião

Questão velha, controvertida, logo a começar no étimo.

Muitos ainda sustentam, para ilustrar o tamanho da comunidade de crentes, designadamente os católicos, que a palavra deriva da latina "religare", ligar, juntar. Errado.

Religião deriva de "religio", que remete para o carácter "escrupuloso" a que os crentes se obrigam na sua fé.

Mas isto é apenas o étimo e assim, por via disso, redutor.

O que importa mesmo é falarmos de e das religiões.

De que é que falamos quando designamos religião, religioso, religiões históricas, religiosidade e etc.

O filósofo, teólogo e padre Anselmo Borges dá-nos uma resposta concisa, curta, mas ainda assim de utilidade para a compreensão da coisa religiosa.

A crónica d'hoje é ilustrativa de uma realidade em movimento, de cujo cenário são figuras centrais o peregrino e o convertido, no dizer de Daniéle Hervieu-Léger.

Repare nesta passagem, central do texto de Anselmo Borges, para entendermos aquilo que parece ser um "exemplar" desconcertante das nossas sociedades "secularizadas", "racionalistas", "individualistas" mas onde a manifestação do religiosos é cada vez mais presente, eficiente e multifacetada.

«Assim, para os fenomenólogos da religião, como J. Martín Velasco, por exemplo, o homem religioso é aquele que assume uma determinada atitude face ao Sagrado, entendendo-se por Sagrado aquele âmbito de realidade que se traduz por termos como "o invisível", "a ultimidade", "a verdadeira fonte do valor e sentido últimos", "a realidade autêntica". A religião não é em primeiro lugar ordo ad Deum (relação com Deus), mas ordo ad Sanctum (relação com o Sagrado). Antes da sua configuração como deuses e Deus, o "objecto" da religião é o Sagrado ou o Mistério, que é ao mesmo tempo absolutamente transcendente e radicalmente imanente. O homem religioso faz a experiência do Sagrado ou Mistério enquanto Presença originante e doadora de toda a realidade. É Presença enquanto Transcendência radical no centro da realidade e da pessoa e, assim, Imanência, isto é, Presença mais íntima à realidade e à pessoa do que a sua própria intimidade

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publicado por weber às 18:29
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