Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

Robert Laffont: il est mort

 

Conheci este homem, fora de série, em 1974.

Trabalhava eu, então, numa livraria de referência de Bruxelles, LIBRIS, Avenue da la Toison d'Or.

Robert Laffont acabava de publicar uma espécie de biografia, numa nova colecção do seu catálogo, aberta a profissionais e a profissões.

Ele, no livro inaugural, naturalmente, falava da sua: ÉDITEUR.

Ofereceu-me uma dedicatória, que leio, hoje, emocionado: "pour José Soares um trés cordial hommage, Robert Laffont, 4 Avril 74".

Pierre Assouline, seu amigo, escreve um notável texto, que aqui se publica.

É um obituário de amizade, mas também um retrato severo e eloquente de um dos mais destacados editores franceses dos últimos cinquenta anos.

Colou-se-lhe ao perfil o negócio dos best-sellers.

De resto, e a propósito, Passou recorda uma das suas melhores boutades: -:”Rien de plus triste qu’un best-seller qui ne se vend pas”.

Faz pouco tempo publiquei um texto sobre um outro "editor", que conheci em Bruxelles, para quem trabalhei, mas que valia pouco como empresário, menos ainda como homem e grosso na ética que foi a sua.

Este, Robert Laffont, era feito de uma outra argamassa.

Amigo de Churchill e de Graham Greene, autores que ele publicou.

Cultuava o autor, além de TUDO o mais.

Robert Laffont deixa-nos um catálogo impressionante, eclético, mas sempre assumindo os riscos da industria.

Já não há, hoje, editores como ele.

Homem honrado, sedutor, cultor de mulheres e apaixonado pelas viagens.

Fanático de futebol e do Olympique de Marseille, ainda assistiu à vitória deste no campeonato de 2009/2010.

Morreu aos 93 anos.

Uma vida cheia, uma obra consistente e poderosa.

Honra à sua memória.


publicado por weber às 16:42
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