Terça-feira, 1 de Maio de 2012

Quem nos avisa...é homem avisado

O dito não é bem este, mas poderia sê-lo.

O artigo sobre uma série de eleições que se anunciam, em diversos países,para os tempos próximos e sobre as tendências económicas, sociais e planetárias, publicado ontem no Público pelo americano:Richard Haass:os espinhos da vitoria além de preocupante é, sobretudo, realista.

Este bocadinho é paradigmático

"Um segundo desafio universal é a tecnologia. A visão de George Orwell de 1984 dificilmente poderia ter sido mais errada, porque a característica distintiva da tecnologia moderna não é o Big Brother, mas a descentralização. Actualmente é possível ter mais capacidade de computação num desktop ou na mão de uma pessoa do que aquela que se poderia reunir numa sala há apenas uma geração atrás.  Como resultado, as pessoas em todo o mundo têm agora mais acesso a um número maior de fontes de informação do que nunca, tornando cada vez mais difícil aos governos a tarefa de controlar e monopolizar a circulação do conhecimento. Os cidadãos também têm uma capacidade crescente de comunicar entre si de forma directa e discreta através de telemóveis e de redes sociais. Uma das consequências desta tendência é o facto de os governos autoritários já não serem capazes de exercer o controlo sobre os seus cidadãos tão facilmente como antes. A tecnologia é, sem dúvida, uma explicação para as revoltas a que assistimos em grande parte do mundo árabe. Mas a tecnologia moderna também tem implicações nas democracias bem estabelecidas. É muito mais difícil criar consenso social e governar num mundo no qual os cidadãos podem escolher o que ler, ver e ouvir, e com quem falar. Um terceiro desafio generalizado que aguarda os líderes emergentes é a realidade incontornável de que as exigências dos cidadãos são cada vez maiores do que a capacidade para as satisfazer. Isto foi sempre assim no chamado mundo em desenvolvimento (e muitas vezes relativamente pobre). Mas esta situação acontece agora também nas democracias relativamente ricas, bem como entre os países que têm tido um crescimento mais rápido. Em muitos casos, o crescimento económico é mais lento do que o padrão histórico. Isto é facilmente perceptível para grande parte da Europa, Japão e EUA. Mas o crescimento também está a abrandar na China e na Índia, que em conjunto contam com mais de um terço da população mundial. As taxas de desemprego são elevadas, especialmente nos EUA e na Europa ocidental e atingem sobretudo os jovens e as pessoas que estão próximas do final da sua vida activa (mas cuja esperança de vida é ainda de algumas décadas). O que é ainda mais preocupante é que grande parte destes casos irá traduzir-se em situações de desemprego de longa duração.O resultado líquido destas mudanças económicas e demográficas é que uma parcela crescente do rendimento nacional está agora a ser direccionada para proporcionar cuidados de saúde, pensões e outras formas de apoio básico, enquanto uma percentagem decrescente de cidadãos em quase todas as sociedades trabalha para apoiar um número crescente de concidadãos. Esta relação crescente de dependência é piorada pelo aumento da desigualdade económica; à medida que mais riqueza se concentra num menor número de mãos, a promessa de padrões de vida cada vez melhores para a maioria das pessoas poderá não ser cumprida."


publicado por weber às 13:12
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