Sábado, 22 de Outubro de 2011

Se já gostava do intelectual

agora gosto ainda mais e começo a apreciar o homem.

Anselmo Borges assina coluna hebdomadária no DN e ao sábado.

Hoje aí está ela, de grande actualidade e qualidade.

Relata um colóquio organizado em Santa Maria da Feira sobre "revoluções". Não gosto do tema, por que está sempre desajustado e é uma categoria sociológica ambígua.

Em geometria, uma "revolução" é, nem mais nem menos de que um movimento de 360 graus. Quer dizer que se parte de um ponto e, após a dita revolução, estamos, exacatamente, no mesmo ponto.

Prefiro-lhe a "indignação", mais ainda a "revolta", que é um estado permanente e operativo. A revolta move montanhas...a revolução. normalmente, destrói.

Mas, o que me impressiona nesta análise/relato é a adesão do filósofo português ao judeu Baruch Spinoza, meu muito apreciado pensado, que andou escondido séculos, mas que está a emergir com um vigor espantoso:

(...)

"A transformação essencial é que o trabalho é menos produção material do que intelectual: os valores da riqueza vêm da capacidade da produção cognitiva. A produção não está nas fábricas, mas na vida toda. A economia neoliberal não sabe responder à "biopolítica": a sociedade produtiva avança mais do que o Estado nacional ou a finança.

Aí estão os endividados, todos endividados. Mas o trabalho é comum. Os Estados nacionais são impotentes, porque o mundo se globalizou. As constituições que temos estão ultrapassadas, porque vêm de um sistema antigo. Hoje, trabalha-se comunitariamente, todos participam na produção. Urgência maior: encontrar o fundamento comum - o comum entre os homens, para lá do privado. As constituições são um contrato. Hoje, porém, quem estabelece o contrato? A finança mundial? Mas ela faz o contrato com quem?

A nova constituição não pode estar assente no medo, como pretendeu Hobbes, mas nesse fundamento comum, sabendo, com Espinosa, que a liberdade em conjunto se multiplica, exactamente como a capacidade vital.

Agora, a opressão é em rede, mas a informática também traz uma potência global de transformação."

Foto - Estátua do filósofo holandês, neto de judeus da Vidigueira, Portugal.


publicado por weber às 11:50
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