Quinta-feira, 9 de Junho de 2011

Assobiar para o lado

Os tempos que correm são singulares, mesmo até desconcertantes.

Como não temos futebol, o que domina mesmo é a politica, os partidos políticos, o Presidente da República e os empresários, que viraram analistas políticos.

A direita, essa, anda entretida a formar governo.

Juntaram-se na S. Caetano à Lapa e aquilo eram só sorrisos e ademanes, delicadezas e outras tantas pantominices.

Sabedores dos negócios de mercearia, submarinos, ambiente, recolha e tratamento de lixos, sabem também guardar segredo da partilha de poder. Um ministério para mim...dois para ti. Três secretários de Estado para ti, cinco para mim.

Portanto, a direita, as direitas, andam contentes e felizes. Como dizia o alentejano, a minha fome é de gerações.

Estes, políticos, do Caldas e da Lapa, têm fome de meia dúzia de anos, que vão tentar saciar à tripa-forra nos próximos meses.

As esquerdas já é diferente.

O PS foi varrido pelo conúbio consumado entre as esquerdas da esquerda, BE e PCP e as direitas agora no poder. Foi-o, também, pela convergência com uma realidade estrepitosamente inconveniente: perda de direitos nos trabalhadores do Estado, reduções de salários, desemprego, crise na economia, futuro sombrio, divida externa a subir sem parar. Nenhum líder conseguiria travar tal desconcerto de factores.

Lembram-se da sova que o PS levou, em 1985, quando estávamos a sair de uma experiência de governo de bloco central, Mário Soares e Mota Pinto, e de uma crise com intervenção do FMI e a entrarmos na CEE?

Eu recordo os números.

PPD/PSD - Cavaco Silva - 29,87%

PS-Almeida Santos - 20,77%

PRD - Hermínio Martinho - 17,92%

APU - Álvaro Cunhal - 15,49%

CDS - Francisco Lucas Pires - 9,96%.

Mário Soares preparava-se já para concorrer à presidência da República, saiu de cena e mandou avançar o seu amigo, com os resultados que então ficaram à vista. Agora, também, houve quem sugerisse que Sócrates não deveria ter avançado... 

Depois, bem, depois é a narrativa da história e todos sabemos em que terminou.

Contudo, há singularidades.

Nesse parlamento, em 1986, a esquerda tinha a maioria absoluta. Todos somados tinham quase 55% dos mandatos.

Os tresvariados do PRD avançam com uma Moção de Censura e...Cavaco Silva obtém a primeira maioria absoluta.

Em 2011, o governo avança com o PECIV, que é chumbado, sem fundamentação alguma, por PSD, CDS, BE, Verdes e PCP...

Resultado? Em 5 de Junho p.p. as direitas obtêm maioria absoluta (PSD - 38,6% e CDS/PP- 11,7%).

O PC anda a dizer que a culpa das direitas terem ido para o governo é dos socialistas, que tiveram um resultado de "merda".

Ainda hoje, esta tese, era sustentada por um homem inteligente, e razoável, Octávio Teixeira, na Antena 1 no tal programa Conselho Superior, onde antecede, semanalmente, Miguel Portas.

É espantoso.

Quando, de concerto com as direitas, retiraram a maioria absoluta a Sócrates, em 2009, agora, em 2011, pura e simplesmente, derrotaram-no e, acham eles, que a culpa é dos socialistas, que não souberam ganhar!

O PCP, pela circunstância de ter perdido 6 000 votos, em relação a 2009, mas ainda assim ter aumentado a % e acrescido um deputado ainda consegue produzir estes estapafúrdios argumentos, mas o Bloco, esse, coitado, de tão sovado que foi...nem pia. Ou, melhor dito, voa baixinho...como o crocodilo da anedota.

Perante isto, ainda que mal pergunte, para que serve votar no PCP e/ou no BE? Não serve para nada? Serve, claro que serve. Serve, sobretudo, para entregar numa bandeja o poder às direitas.

Esta é que é a pura das verdades.

O resto e a soma são puro sofisma.


publicado por weber às 18:13
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