Sexta-feira, 6 de Maio de 2011

É justo

 

Ferreira Fernandes, no tom certo, faz um rasgado elogio a Paulo Portas que, em seu entendimento, percebeu, melhor que outros responsáveis políticos, o que estava em causa neste resgate da divida portuguesa.

Ajuízem da bondade da crónica e da justiça da ponderação opinativa.

«Paulo Portas é mestre do marketing político. Esta frase dele, ontem, confirma-o: "Olhei-os olhos nos olhos [aos da troika]e disse-lhes: tenho respeito pelo vosso trabalho, provavelmente vamos trabalhar juntos, mas quero dizer-vos que o meu partido tudo fará para que esta seja a última vez que vos pedimos ajuda." Resumindo, parece que Portas encheu o peito e mandou a mensagem para a bancada dos fanáticos do Galo de Barcelos Futebol Clube: cá em casa mandamos nós! Parece e, de facto, é marketing político. Mas há mais alguma coisa. A propaganda, neste caso, vem junto à ideia política que tem norteado o CDS nesta crise: em vez de afastar, há que unir, em vez do deita abaixo, há que olhar em frente. A vinda de credores estrangeiros a Portugal, impondo-nos condições sobre como nos governarmos, se é que lhes queremos o dinheiro, é uma derrota para Portugal. A oposição pode dizer que a culpa é do Governo, o Governo pode justificar-se com rasteiras da oposição, mas a verdade é que os cortes a direito propostos por uma reduzida equipa técnica que cá está há um mês foram aceites como bons pelos três partidos que tradicionalmente nos governam e nunca souberam (na verdade, não quiseram) pô-los em prática. É um atestado público de incompetência em nos governarmos. Nestas semanas, Portas foi o primeiro a encontrar a linguagem justa, a de sobressalto nacional, que pode redimir os partidos perante os portugueses

Se concordo que os partidos são importantes, que as divisões ideológicas são o cimento de uma democracia plural, ele há conjunturas, momentos na história de um Povo, que obrigam a meter a "partidarite" no bolso.

É, pois, de grande importância esta categoria circunstancial do "sobressalto nacional".

Em dois dias seguidos, com parceiros diferentes, vi e ouvi Manuel Pinho, o malogrado ex-ministro da economia de José Sócrates, competentíssimo, com um sentido apuradíssimo de causa pública, de serviço, na RTP1, a falar de resgate da divida publica, de pacote de medidas para recuperar a competitividade e...fê-lo, sempre, no tom certo, não dramatizando, mas apelando, na linhagem de Paulo Portas "ao sobressalto nacional".

Pode ser uma questão de berço? Pode bem ser.


publicado por weber às 11:54
link do post | comentar
partilhar

. ver perfil

. seguir perfil

. 8 seguidores

.pesquisar

 

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. É justo

.arquivos

.tags

. todas as tags

.últ. comentários

Chame-me Parvo….Pois é, Sr. Pedro Tadeu, é isso me...