Sábado, 19 de Dezembro de 2009

E a banda continuou a tocar

Do Pedro Adão e Silva uma reflexão interessante, mas, parece-me a mim, "incompleta".

Pode lê-la aqui e, confortavelmente, de seguida:

«Não se sabe com exactidão que música tocava a banda quando o Titanic chocou com o iceberg. Mas uma coisa é certa: a banda continuou a tocar. Portugal chocou com o seu iceberg particular. Empurrados pela conjuntura externa dramática, as nossas debilidades estruturais não só vieram ao de cima como se agravaram. Desemprego, défice e endividamento são os aspectos mais visíveis do rombo. Perante isto, os partidos continuam a tocar música como se nada se estivesse a passar. Não bastava a coligação parlamentar de cortes na receita combinados com aumento na despesa, esta semana os deputados do PS reuniram-se para falar de regionalização. Na política, a oportunidade, não sendo tudo, é quase. E dificilmente haverá tema mais desajustado. Quando o foco deveria estar por inteiro na política económica de resposta à crise (do mercado de trabalho e orçamental), o Partido Socialista escolhe reflectir sobre quantas regiões deviam existir e as competências a transferir. O tema é uma espécie de fetiche da classe política, desajustado da realidade. Mas, também, não há novidade. Sempre que os partidos precisam de encontrar uma manobra de diversão têm na regionalização um tema adequado. Os outros partidos não se inibem de reagir e a comunicação social amplia devidamente o tema. Há uma década que é assim, mas é apenas mais um sintoma de empobrecimento do debate político. O problema é que agora temos mesmo de resolver o problema do iceberg.
publicado hoje no i

Eu percebo a preocupação de PAS, mas parece-me uma análise insuficientemente integradora.

As narrativas especializadas, de conjuntura, não podem, e não devem, sequer, desertificar outras narrativas emergentes a quererem ocupar o futuro.

Ora, como sabemos todos, quase 90% dos autarcas, Presidentes de Câmara e de Junta de Freguesia vão ficar impedidos, em 2013, de se recandidatarem.

Temos aqui um problema  sério.

Ele há presidentes de Câmara com 30 anos de liderança municipal, ou 16 anos, ou 24 anos, muitos anos, e ainda com 50 anos de idade, ou mesmo que seja 60 anos.

Uma vez fora das Presidências camarárias o que vão fazer?

Para onde vai emigrar esta classe politica?

Dir-me-á P.A.S., mas que importância tem este fenómeno que se manifestará apenas em 2013?

Como disse ontem no Instituto Sá Carneiro o Director do Expresso, o jornalista Henrique Monteiro, TODOS os partidos portugueses foram desenhados sobre o modelo leninista, do "centralismo democrático" e com antenas regionais, locais, e profissionais.

Isto significa que há clientelas locais e regionais que têm de ser atendidas.

Neste quadro,e neste particular, a Regionalização é uma saída e uma "solução".

O Partido Socialista está interessado nela e não me parece extemporâneo colocar a questão: jogada de antecipação, pura e simples.

Obriga o P.S.D. que, desta vez, irá viabilizar o referendo para a regionalização em concreto, com as cinco regiões, a cavalgar por cima das cinco regiões-plano e com as cinco Comissões de Desenvolvimento Regional no terreno, com pessoal técnico, com instalações, com competências definidas, mas  sem titulares electivos, a chegar-se à frente.

O nortenho Aguiar Branco já veio afirmar que, sim senhor, mas só depois das eleições presidenciais. Percebe-se.

O P.S.D. só ocupa um cargo de importância estadual e nacional. E controla um regional: a Madeira.

Tem de gerir muito bem todos estes timings.

Contrariamente, pois, a P.A.S. eu acho que foi o timing ajustado para "lançar" o debate sobre a regionalização.

Veremos quem tem razão.

J.A.


publicado por weber às 01:41
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