Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011

Os comunistas portugueses estão loucos

O jornal Avante, órgão central do Partido Comunista Português, publica um artigo explicativo dos "verdadeiros" autores ou, melhor dizendo, fautores da crise actual.

A peça é assinada e pode ser lida aqui.

Um tal Jorge Messias, autor deste texto surreal, remete para os Protocolos dos Sábios de Sião, na foto, da primeira edição completa e autónoma, em alemão, publicada fora da Rússia (muito interessante este LINK sobre este tópico), e não só, a responsabilidade da crise que estamos a viver.

Isto não se acredita, mas explica-se.

Comecemos, então, pelo principio.

O anti-semitismo, o anti-judaismo encontra-se em boa parte da história universal desde tempos imorredouros e pelas razões mais diversificadas. No século XIX atingiu, nalguns países, formas desconcertantes.

Napoleão I convoca o Sinédrio, entidade máxima da diáspora judaica em França, de modo a regularizar o "estatuto" dessa comunidade religiosa. Contrariamente ao que muitos judeus sustentavam (assumiam-se como povo no exílio, como nacionalidade) o Imperador recusou-lhes esses estatuto, mas assumiu-lhes a religião , como histórica e com legitimidade para ser praticada em França.

Este facto induziu a policia politica do Czar russo a defender a teoria da conspiração internacional dos judeus. Tentou, variadas vezes, convencer o Czar de tal realidade.

Pela década de 1890, um dos seus agentes, que a história não reteve o nome, foi incumbido de "escrever" um texto que ilustrasse a vontade concertada dos judeus de "controlarem" o mundo. Tratava-se então de convencer o Czar Nicolau II de lançar contra os judeus politicais radicais e limitativas da sua "cidadania" russa. O guião que lhe foi proposto: utilizar um panfleto da autoria do francês Maurice Joly, editado em 1864, em que este atribuía a Napoleão III ambições de dominar o mundo. Neste original não há uma única referência aos judeus, ao povo judeu ou mesmo à religião judaica. Na pena do policia russo da Okrana, o monarca francês foi substituído por uma conferência de líderes judeus que afirmavam que "através  da exploração da democracia moderna, eles estariam próximos de conseguir os seus objectivos." Esta é a origem dos Protocolos dos Sábios de Sião.

No seu objectivo primordial, de convencer o Czar Nicolau II, falhou redondamente. Este, depois de ler o documentou, produziu o seguinte comentário "Uma causa justa não pode ser defendida por meios tãos escusos".

Entretanto a Okrana difunde pela Europa de então o documento e vamos encontrá-lo, designadamente, como capitulo adicional ao livro anti-semita de Serge Nilus, em 1905, O Grande e o Pequeno.

Mas, o que é desconcertante, tendo em conta o texto publicado no Avante, é que este documento policial reganha notoriedade como resposta propagandística contra a revolução bolchevique de 1917.

Grande parte dos líderes bolcheviques eram de origem judaica:Trotsky, Zinoviev, Sokolnikov, Kamenev, a própria mulher de Lenin, Krupsakaya e, mesmo aquele, que falava o idiche, alemão bárbaro, utilizado pelos judeus alemães e polacos, os azkenazi, teria ascendência judaica.

Isto serviu de pretexto para um tremenda campanha anti-bolchevique e anti-semita que durou até finais da década de 20 do século passado em Inglaterra. Os seus porta-vozes: Hilaire Belloc e pelos irmãos Cecil e G.K. Chesterton. Utilizaram até à exaustão os Protocolos...veiculados também pelos correspondentes do The Times e do Morning Star na Rússia. Em princípios de 1930 escreve o editor do Morning Star, H. A. Gwynne um prefácio a um um livro não assinado com o titulo As causa do desassossego no Mundo, baseado nos Protocolos: "Eles podem ou não ser verdadeiros, mas o principal interesse que eles despertam é que, embora o livro que os contêm seja datado de 1905, os judeus bolcheviques têm cumprido à risca o programa delineado nos Protocolos."

Disto se poderia falar muito mais, mas basta referir o uso tardio, é verdade, dado por Hitler aos Protocolos...para a sua eugenia judaica, como, mais recentemente, o uso que lhes foi dado pelo proto-nazi português Manuel Machado.

Das duas três. Ou este Jorge Messias é um nazi, racista, antisemita, infiltrado na redacção do Avante, ou o que ele escreveu é o pensamento actual dos comunistas portugueses. E, se tal se confirmar, isto é mesmo muito grave.

Jerónimo de Sousa, Secretário Geral dos comunistas portugueses vai ter de se pronunciar sobre esta situação e....rapidamente.


publicado por weber às 19:35
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