Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011

J. Rentes de Carvalho é homem de mau feitio?

Um livro à procura de editor?

O adjectivo "feitio"... dava para publicarmos um ensaio.

Mau "feitio"?

Porque mal talhado, de corpo rude e deselegante?

Ou antes, de má catadura, indisposto funcional?

Talvez as duas coisas e de braço dado?

Nem um pouco.

Sabe-se como sou adicto do escritor de Estevais.

Li o post que publicou na sua barca e fiquei perplexo...

Contudo, acho que ele tem toda a razão.

Ninguém gosta de se confrontar com os seus "monstros", os seus "fantasmas", os seus "mascarados".

Hoje percebi por que Rentes de Carvalho foi tão pouco amado por nós, seus compatriotas.

Creio, tenho mesmo a certeza, que Francisco José Viegas, Director da Quetzal, está a corrigir um dos maiores erros literários e editoriais do nosso século XX: a ignorância em que nos deixaram da obra deste escritor trasmontano, nascido em Vila Nova de Gaia em 1930, e bígamo, homem de duas pátrias: Portugal e Holanda.

É, diriam os literatos, um study case.

Hesitei em linkar o seu post, mas faço-o com a convicção que "a boa escrita" não pode ser cotejada com mesquinho interesses de "oportunidade", de "conjuntura" de "necessidade" ou, mesmo, de "interesse nacional".

António Gramsci disse-o, nas suas Memórias do Cárcere, "só a verdade é revolucionária".

O Papa Bento XVI, Cardeal Ratzinger, douto filósofo e teólogo dos maiores da sua geração, falando à Cúria Romana (governo do Vaticano e da Igreja Católica), pelo Natal, abordando a pedofilia entre a clerezia de vários países, anunciava: -Só a verdade salva.

Os escritores, os grandes, existem para nos inquietarem, para nos provocarem, para nos confrontarem com os nossos "medos", as nossas "hipocrisias", o nosso "deixa andar", o nosso "não quero saber", o nosso "bonzismo" e com as nossas "tralhas culturais e morais".

Tomai então o texto fabuloso de mestre Rentes de Carvalho ao alcance de um link.

E este titulo, "Portugal, a flor e a foice" é todo um programa, e ainda com mais valia se o cotejarmos com o tempo que o viu nascer, na terra de Baruck Spinoza, de Manassés Ben Israel e onde andaram grandes vultos de renascimento: Thomas Morus, Erasmo, e o nosso Damião de Góis, nomeadamente.

O final do livro:«"Pela primeira vez em meio século há liberdade, e a esperança pequenina, mas real, de dividir por todos aquele muito que era de poucos.

Porém, para resguardo, e porque, a liberdade e a esperança de momento são recentes e frágeis, dá vontade de lhes pôr ao lado o letreiro que às vezes se encontra nos jardins: "É favor não pisar. Semeado de fresco".»

publicado por weber às 11:26
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