Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Um poema

Sigamos o cherne

 

Sigamos o cherne, minha Amiga! 

Desçamos ao fundo do desejo

Atrás de muito mais que a fantasia

E aceitemos, até, do cherne um beijo,

Senão já com amor, com alegria..."

 

Em cada um de nós circula o cherne,

Quase sempre mentido e olvidado.

Em água silenciosa do passado

Circula o cherne: traído

Peixe recalcado…

 

Sigamos, pois, o cherne, antes que venha,

Já morto, boiar ao lume de água,

Nos olhos rasos de água,

Quando, mentido o cherne a vida inteira,

Não somos mais que solidão e mágoa…

 

Alexandre O'Neill

No Reino da Dinamarca, 1958

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publicado por weber às 02:07
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