Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

Da poesia

Os amigos
 
Esses estranhos que nós amamos 
e nos amam 
olhamos para eles e são sempre 
adolescentes, assustados e sós 
sem nenhum sentido prático 
sem grande noção da ameaça ou da renúncia 
que sobre a luz incide 
descuidados e intensos no seu exagero 
de temporalidade pura 

Um dia acordamos tristes da sua tristeza 
pois o fortuito significado dos campos 
explica por outras palavras 
aquilo que tornava os olhos incomparáveis 

Mas a impressão maior é a da alegria 
de uma maneira que nem se consegue 
e por isso ténue, misteriosa: 
talvez seja assim todo o amor 


José Tolentino de Mendonça 
De Igual Para Igual 
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publicado por weber às 11:25
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