Domingo, 11 de Setembro de 2011

"Ser humano:pessoa"

Quando me esqueço de Anselmo Borges invento e atraso-me

Valupi questionava "Se as pessoas estão em primeiro lugar, o que virá em segundo?" os seus leitores, a pretexto do slogan do congresso dos socialistas em Braga.

Repondi-lhe, em comentário, deste modo:

«Spinoza falava, e bem, da natureza, naturante.
Há quem fale, e bem, da humana humanidade.
Há quem transforme o “dinheiro” numa espécie de demiurgo e lhe atribua uma centralidade total.
Há quem se movimente pelo dinheiro, pelos bens de consumo, que acumule riquezas inauditas.
Há quem coisifique o ser humano, há quem o transforme em mercadoria, há quem o torne (veja-se os comunistas chineses…) em força exclusiva de trabalho…sem outro préstimo que esse mesmo.
Há quem, pelo menos no plano das intenções e das narrativas politicas atribua a centralidade às pessoas, às humanas criaturas.
Esse é, em tese de narrativa congresseira, o sentido das “pessoas primeiro”: uma centralidade ÚNICA.
Portanto, não há rankings, menos ainda tabelas classificativas.
Aqui, o primeiro é igual a ÚNICO.
Não há segundo, nem terceiro…
Há uma velha canção francesa que dizia, e cito de memória: “les copains d’abord”.»

Entretanto, coincidências, ou não, o filósofo de Coimbra dedica a sua crónica no DN a este tópico, mas com o saber que é o dele e o enfoque filosófico que empresta sempre às suas crónicas: as pessoas.

Destaco este pedaço para se entender de que falamos:

«Quer se queira quer não, é um dado histórico que o contributo do cristianismo para a noção de pessoa e de que todo o ser humano é pessoa foi fundamental. Repare-se que tanto na Grécia como na Roma antigas, ser humano e pessoa não eram sinónimos. De facto, só os cidadãos livres eram sujeitos de plenos direitos e deveres; as mulheres, os escravos e as crianças, embora pertencentes ao género humano, não eram pessoas livres, gozando de plenos direitos. Como mostrou o filósofo Zubiri, "a introdução do conceito de pessoa na sua peculiaridade foi obra do pensamento cristão": o cristianismo afirmou e afirma que todo o ser humano - homem, mulher, escravo, deficiente... - é pessoa, com dignidade inviolável, porque é filho de Deus. Kant reflectirá, concluindo que nenhum ser humano pode alguma vez ser tratado como simples meio, pois é fim em si mesmo; as coisas são meios e, por isso, têm um preço - o homem, porque é fim, não tem preço, mas dignidade

Depois disto, não carece de qualquer tipo de acrescento.

Aqui está tudo.

A Imagem é de Emanuel Kant.

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publicado por weber às 16:44
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