Quinta-feira, 2 de Junho de 2011

A crise dos pepinos e a crise da União Europeia

O modo como os alemães, as suas autoridades sanitárias trataram a emergência de uma bactéria letal, transportada, ao que parece, em legumes frescos, põe a nu a crise do valor "União" que campeia, na actualidade, no projecto europeu.

Os nacionalismos, os egoísmos patrióticos, veja-se mesmo uma certa xenofobia e a inexistência de uma dimensão europeia para a cidadania, estão a minar o projecto europeu de Schuman e Adenauer.

O meu cronista, jornalista do DN, dá hoje à estampa, superior e bruta análise deste incidente, que está a custar milhares de milhões de euros aos agricultores andaluzes.

Leiam-na por aqui.

E de seguida:«Do mercado de Klausenerplatz, em Berlim, foi publicada ontem uma foto das bancas de hortaliças com um grande cartaz à frente: "Aqui não se vendem produtos espanhóis!" Experimente um jornal da Andaluzia difundir um anúncio com a foto de automóveis alemães e a frase grosseira: "O carro que mata!"... No entanto, na última semana, os acidentes rodoviários em que participaram marcas alemãs em Espanha foram mais letais do que os ocasionados pelos pepinos espanhóis na Alemanha. Houve um choque de um Mercedes conduzido por um toureiro que matou outro condutor e de infectado pelo célebre Escherichia coli que toca castanholas ficou-se ontem a saber que, afinal, não há ninguém... Extraordinária arrogância a de políticos alemães que, perante um caso de saúde pública no seu país, convocaram uma conferência de imprensa para apontar como culpado outro país. Para, dias depois, confessarem que análises científicas descartam a sua acusação. Sublinhe-se a irresponsabilidade do alarme antes de terem as provas e da falta de solidariedade com um país mais do que amigo, com um país com o qual se está economicamente unido. Ou não é isso que Bruxelas une e organiza: Estugarda constrói automóveis e Múrcia produz pepinos? Pois apesar de os alemães terem ficado com a melhor parte do bolo, verifica-se que não se importam de afundar a produção do aliado. Esta semana, a águia alemã mais parecia o abutre de uma agência de rating

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publicado por weber às 10:18
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