Sábado, 11 de Fevereiro de 2012

O poeta do folclore

Escárnio

 

O meu amor anda em fama.
Mesmo assim lhe quero bem.
Cegueira? Seja o que for!
Os olhos do meu amor
Não os vejo em mais ninguém.

Tentaram deitá-lo à rua,
Mas abri-lhe a minha porta,
E a minha mão, toda nua,
Varreu toda a noite morta.
Porém, mil vozes, medonhas
Como pedaços de lama,
Segredaram-me vergonhas
Do meu amor que anda em fama.

Ai! a dor! — casa florida...
Ai! o amor! — casa cercada.

Há-de-se acabar a vida
Com a última pedrada!..

Pedro Homem de Mello, in "Bodas Vermelhas"
 


publicado por weber às 16:29
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