Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

Um outro Portugal

Paulo Baldaia, jornalista da TSF, à boleia da Ordem dos TOC's, viajando pelo país, descobriu uma realidade que não se reflecte nos media! Aleluia!

Veja aqui a prosa do proseador.

E in extenso por modo a poder comentá-la:

"A crise mais grave que Portugal enfrenta é a crise provocada pela descrença. Dessa descrença nos políticos, nas instituições, no próprio País, muitos portugueses fazem vir ao de cima o conformismo disfarçado de luta. Apostam na arte de maldizer de tudo e de todos, convencendo-se a si próprios que estão, no fundo, cheios de coragem a enfrentar os males do mundo. O que os portugueses precisam é de acreditar em si próprios. Precisam de gastar tempo tentando perceber o sucesso de quem o tem e procurar soluções para quando a vida corre mal. Não falo sequer do sucesso dos grandes gestores, que ganham milhões e suscitam invejas. Nem do sucesso de um político que é conseguido à custa do fracasso de outro político, porque a lógica partidária nada tem para ensinar de produtivo. Falo de uma coisa mais simples, de gente insuspeita, de gente que produziu pensamento e soube transformar uma ideia num negócio. Tenho percorrido o País de norte a sul, num ciclo de conferências organizado pela TSF e pela OTOC, e vejo que Portugal está positivamente inundado de exemplos pela positiva. Gente empreendedora, a maioria jovens, que mesmo enfrentando dificuldades não desistem de fazer valer as suas ideias de negócio. Gente que não tem tempo para aprender a arte de maldizer, porque vive entusiasmada com o que fizeram nascer. E, no entanto, estes empreendedores também são muitas vezes vítimas de um Estado que atrapalha quando devia ajudar. A maioria sabe que quando a ideia é boa e a opção é a de meter mãos à obra, o sucesso não acontece por acaso. Na arte de maldizer que ocupa grande parte do espaço (a Internet) que generalizou o comentário não há uma pinga de empreendedorismo ou de inovação. Por aqui, como muito lembrava ontem Miguel Sousa Tavares, há muitos que a coberto do anonimato se limitam a insultar e a ofender. E, no entanto, volta a ter razão o cronista do Expresso, há uma grande reverência na comunicação social pelo que se escreve nos blogues ou nas redes sociais. Em grande parte da população começa a instalar-se, aliás, a ideia de que a Internet é a verdadeira democracia. A maior parte dos portugueses perde demasiado tempo com o comentário político que visa atingir pessoalmente o titular do cargo A ou do partido B e muito pouco tempo a analisar as opções políticas. E se as coisas são assim, percebe-se melhor porque quase ninguém quer dedicar parte do seu tempo a tentar perceber de que é feito este Portugal positivo onde habitam milhares de empreendedores. Quero acreditar que um país que já passou por tanta coisa saberá perceber que o há para copiar são os bons exemplos."

Espanto d'espantar!

O que diz o jornalista é verdade.

Mas, já o era no tempo de José Sócrates.

Recordo-me de ouvir o mesmo jornalista de hoje (curiosa coincidência: o roteiro último dos senhor Silva, PR, era a juventude e o empreendedorismo, empresas de sucesso) a zurzir, em comentário politico, no engenheiro, actualmente, homiziado em Paris, passando ao lado desta realidade, que agora traz para a ribalta da sua coluna no DN.

Mas, como dizia o impertinente, os números, que se colam à realidade são muito chatos.

O desemprego aproxima, segundo os sindicalistas e as estatísticas, dos 20% da população activa (estaremos perto dos 800 mil desempregados), o poder de compra desce a níveis da década de 70 do século passado, a destruição do tecido produtivo (industria, construção e obras públicas) é uma constante diária.

Grandes empresas desaparecem.

Dizem os entendidos que, se não se avançar com o Novo Aeroporto Internacional, vai-se perder mais cerca de 100 mil postos de trabalho. Arriscámo-nos, então, a ter perto de 1 milhão de sem emprego.

A emigração aumenta, a cada dia que passa.

A miséria é larvar e dissemina-se como vírus intolerável, para a qual não parece haver antídoto.

As igrejas e as "ONG's" de intervenção social estão desesperadas, sem meios capazes de socorrer tanta gente, ao mesmo tempo.

As medidas da troika são, cada vez mais insuportáveis.

A Presidente do FMI, Cristine Lagarde, avisa, no México, que a economia mundial ainda corre o risco de entrar em colapso. Admite que se "estancou" o vírus no sistema financeiro, mas nada está garantido...

Paulo Baldaia tem razão, mas não pode assobiar para o lado e ignorar a "puta" da realidade, que é a crise que os portugueses não provocaram, e que Sócrates tentou combater com meios próprios e com custos menores para o povo, mas que a gula do PSD e CDS, e a traição dos comunistas e bloquistas instalaram no país.

Este é o país que "domina" o tempo que nos foi dado viver.

O outro país, de que Paulo Baldaia fala...existe, mas é muito fraco para dar esperança aos milhares de portugueses que foram lançados, pela incúria, pela gula e comportamento criminoso dos financeiros de Wall Street (na foto, em 1929, aquando do crash bolsista), e não só, na mais profunda miséria e desespero. Esta é que a verdade...toda!


publicado por weber às 12:11
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