Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Une si douce occupation

Tem-se escrito bastante sobre Paris e sob a ocupação nazi durante a 2.ª guerra mundial.

Os franceses, sobretudo alguns intelectuais franceses, esses então, não ficam mesmo nada bem na FOTO!

A revista espanhola "La aventura de la historia"  tem publicado dossiers muito interessantes sobre a 2.ª guerra mundial, acontecimentos, batalhas, generais, protagonistas, material bélico, politica, alianças, entre outros aspectos.

O número 10 é dedicado a De Gaulle, onde se fala da personagem e das suas circunstâncias..

Jean Paul Sartre, que viveu TODA a ocupação em Paris, pode escrever e publicar "L'Être et le neant",  e as peças de teatro que levou à cena, "Les mouches" e "La nausée", permitiu-se uma boutade, que ainda hoje o persegue: "Nunca fomos tão livres como sob a ocupação".

Mas há mais, muito mais.

Sartre manteve intacta a sua tertulia, de esquerda e vanguardista, no La Coupole,  Boulevard Montparnasse.

Picasso manteve-se ao trabalho no seu imenso estudio da Rue des Grands Agustins, onde recebia oficiais alemães apreciadores da pintura vanguardista.

O dramaturgo Léopold Marchand contava, ufano, aos seus amigos, que o escutavam deliciados, um incidente que ocorreu no Metro: -Outro dia um oficial alemão cedeu-me a dianteira para entrar na estação e eu respondi-lhe: "Você primeiro, senhor, por que está em minha casa."

Em quase contraponto, regista-se o suicídio de Thierry de Martel, fundador do primeiro partido fascista francês que, patriota, não conseguiu sofrer impávido o pisoteio do solo sagrado da França pelo invasor alemão.

As esplanadas, passados os dois primeiros dias de ocupação, abrem-se de cabo a rabo, assim como a Opera, os teatros, os cinemas, os cabarets onde tronam Sacha Guitry e Maurice Chevalier.

Jean Gabin, esse, deixou Paris e integrou a resistência no maquis até à libertação da França.

Os intelectuais incomodavam-se mais, mas mesmo muito mais, com os arrivistas enriquecidos no mercado negro, do que com os alemães, cultos, requintados que se pavoneiavam pelos boulevards parisinos. 

No chiquérrimo bistrot Berkeley de l'Avenue Matingnon frequentado por Jean Cocteau, Marcel Achard et le tout Paris enojam-se estes, com aqueles "parvenus".

Mas  há uma história (que terá dado um filme, que eu não vi, nem sei  se foi feito...) que é uma paradigma do ambiente durante a ocupação alemã de Paris.

Arletty era então a estrela mais cativante do teatro de La Comedie Française.

Um dia, conhece, na Sala du Conservatoire, um aviador alemão, Hans Jürgen Soehrin, amante de Paris, culto, melómano, poliglota e, além do mais..."lindíssimo"

Este instala-se com  a Arletty num sumptuoso apartamento, de onde se avista  o Sena, no Quay Conti. Os serões são opíparos.

Os convidados são la créme de la créme de Paris e vêm para escutar o aviador alemão a passear as mãos sobre um piano de cauda: Colette, Paul Valéry, Sacha Guitry..."uma ocupação tão pacata!"

Quando, após a "libertação, Arletty é presa por confraternizar com o inimigo e questionada pelo juiz para produzir as suas alegações, dirá: -O meu coração é francês, mas a minha cona é internacional.

E punto!

J.A.

PS-É preciso aprofundar estes acontecimentos, que têm explicações mais complexas e intrincadas.

Aqui deixo só um retrato ao modo de Andrea Zucca, que fez milhares de negativos sob a ocupação alemã de Paris para a revista nazi SIGNAL, que se publicava então.

Faz alguns meses realizou-se uma grande exposição destas fotos em Paris.

Os parisienses "não gostaram do que viram".

A polémica estalou e...

Em cima, foto de Andrea Zucca, Rue de Belleville, Paris, 1944.

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publicado por weber às 17:47
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