Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Há gestos que vale, mesmo, a pena recordar

Ferreira Fernandes volta, hoje, aos jogadores do Clube de Futebol "Os Belenenses" da Selecção de 1938, cujo crónica pode ler aqui e inteirinha: 

"Ontem, lembrei a foto do alemão que cruzou os braços, em 1936, enquanto a multidão à volta fazia a saudação nazi. Ele foi preso e, com a guerra, mandado para frente russa, onde desapareceu. Comparei a foto com a dos três jogadores portugueses que se negaram a fazer a saudação fascista durante um Portugal-Espanha, em 1938. Um leitor, assinando "Zé Povinho", gozou na caixa de comentários da edição online do DN: "Desconhecia que o Artur Quaresma, o José Simões e o Mariano Amaro tinham sido incorporados num batalhão penal e despachados para a frente russa"... Resumindo, para o leitor eles arriscavam pouco. Ora, os três futebolistas - que protestaram frente à tribuna e deixaram fotografar o protesto pela revista Stadium - foram presos e interrogados pela polícia política. "Nunca fui político, mas embirrava com aquelas coisas do fascismo", recordou Quaresma (que morreu há dois meses), numa entrevista em 2004. O gesto de coragem calma, naquele Portugal de 1938, não era gratuito e eles sabiam. Pouco depois, Cândido de Oliveira (na foto), o treinador dos três no Belenenses e na seleção, foi parar ao campo de concentração do Tarrafal. Apesar disso, no estádio, Artur Quaresma, José Simões e Mariano Amaro não usaram mascarilha nem se esconderam sob os nomes de Zé Povinho I, Zé Povinho II e Zé Povinho III. E, agora, o seu gesto é menorizado por alguém que para dar opinião num jornal, em 2012, usa pseudónimo. Dá que pensar esta ironia."


publicado por weber às 10:36
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