Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

Manuela Ferreira Leite: a patriota ou a voz de Belém?

 

Pouco me importa.

Os que por aqui passam, sabem que MFL não é padroeira de nenhum dos meus clubes: é conservadora, eu sou progressivo; é do Sporting, eu sou Benfica; é dos sociais-democratas, eu sou dos socialistas; é cavaquista, eu sou contra.

Creio que há uma única coisa em comum: ambos temos, como estado civil, divorciado/a.

Contudo, não é me é nada difícil reconhecê-lo, MFL, hoje, no Parlamento iluminou-se aos meus olhos.

Disse, como social-democrata, economista e ex-líder do PSD, aquilo que importava dizer.

Sovou, com alguma justiça, o primeiro-ministro; analisou, justamente, a situação em que nos encontrámos e considerou que este OE é o necessário e, sobretudo, a sua execução... indispensável.

"Este é o Orçamento que o país precisa."

Disse-o ela, sem poupar nas palavras, ou embrulhando-as em algodão em rama social-democrata.

Tal só se fará com estabilidade politica e a crise durará ainda dois, ou mesmo três anos, disse-o ela.

Sovou o Ministro das Finanças, e bem, por que, ontem, ele "ameaçou que poderia ocorrer uma crise política nos próximos meses".

O modo como o fez, simplesmente, brilhante.

-Um Ministro das Finanças não pode dar esse sinal negativo para os mercados. Estes não ligam patavina ao que dizem os deputados, mas reagem vivamente ao que afirma um Ministro das Finanças. Mesmo que esteja convencido que tal vai ocorrer, finja...finja, senhor ministro.

Veja-se aqui o resumo da impressiva, quanto patriótica intervenção de MFL.

Tomou à parte Francisco Louçã, como economista (ao que me dizem, brilhante e competentíssimo professor de economia...) e sovou-o, a ele, também:-Admita-se que seria eleito para governar (risos no hemiciclo). Que programa para resolver a crise? Sabe que uma intervenção, sabe com certeza, violenta na economia é, sempre, recessiva. Pois, teríamos a bancarrota, sem sombra de dúvidas.

Foi de ir às lágrimas olhar para Louçã, muito enfiado, em sua cadeira de deputado. A mestre tinha puxado as orelhas ao fedelho.

Foi óbvio o aproveitamento que a bancada do PS e do Governo fizeram desta intervenção.

Entretanto, a partir de então, todo o tom do debate se alterou.

Mesmo o líder da bancada social-democrata, com MFL à ilharga, mudou, radicalmente, a sua conversa, no tom e na substância.

Pode ver aqui o vídeo com a intervenção da deputada social-democrata.

Já se percebeu, neste interlúdio, a partir de hoje, Pedro Passos Coelho deixou de ter Grupo Parlamentar: bandeou-se para Belém.

Tal foi muito importante para os mercados financeiros, para Portugal e para os portugueses.

Ah!, já me esquecia.

Isto foi bué da bom para a reeleição de Aníbal Cavaco Silva.

Ao final da tarde a proposta de OE para 2011 foi aprovada com os favores a favor dos socialistas, com a abstenção do PSD e com votos contra do CDS/PP, do BE, do PCP e de Os Verdes...

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publicado por weber às 14:05
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