Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

"O Estado Popular de Hitler"

 

Li uma recensão, interessante, no blog de Rui Bebiano sobre este livro da autoria Götz Aly, que decidiu investigar o modo como Hitler financiou a sua gigantesca máquina de guerra e como manteve o "povo" alemão contente e satisfeito.

Foi-me ainda recomendado por uma especialista em história contemporânea, 2.ª Guerra Mundial, e não só, a Professora e Académica Irene Pimentel.

Acabei de o ler e, de facto, é não só um repositório tremendo contra a Wehrmacht, mas também ilustra a paz social e a felicidade do povo alemão durante a guerra e o apoio com que nunca faltou a Hitler.

Livro muito documentado, recorrendo o autor a TUDO quanto foi possível compulsar (Alemanha, Holanda, Bélgica, Checoslovaquia, Hungria, Polónia, Bulgária, Roménia, Espanha, Grécia, Itália, Dinamarca, Suécia, Noruega, Croácia, Áustria, Tunísia, Morávia, Boémia, designadamente).

Muito não foi registado.

Muito desapareceu.

Muito lhe foi interdito de consultar.

Muitas das conclusões foram operadas por amostragem e por projecção.

É impressionante a frieza dos números, que completam a narrativa hedionda dos crimes nazis.

Os chefes militares por razões, puramente, militares aceitaram o "desaparecimento" dos judeus, os violentos "esbulhos" sobre os bens e propriedades dos filhos de Israel e a engenharia financeira e de titulatura de pertences, que passava, sem sombra de dúvidas, pela "morte", "assassinato" de milhões de seres humanos. Os chefes militares não podiam, bem pelo contrário, estar excluídos da solução final, da Shoah.

Pode-se admitir que o povo que ficou na Alemanha, e que não esteve afecto às tropas, às policias, ao Partido, aos campos de concentração  ( entidade difusa, esta, que sobrou...na retaguarda), não teve conhecimento dos "actos", do "modus operandi", mas nunca se interrogou por que não era taxada com impostos para o esforço de guerra, nunca passou fome (na primeira metade da guerra, sem sombra de dúvidas; só a partir de 1944 é que começou a sentir dificuldades no abastecimento...).

O livro é um libelo brutal contra esta entidade que Hitler inventou, os Volksgenossen alemães, a quem tudo era devido, a quem tudo pertencia, a quem tudo se entregava.

Atente-se neste pedaço do livro do historiador Götz Aly:

«Das receitas correntes de guerra, os alemães com rendimentos pequenos e médios, que, incluindo as suas famílias. rondariam os sessenta milhões de pessoas, pagaram, no máximo, 10 por cento. Os alemães com rendimentos mais altos custearam à volta de 20 por cento, ao passo que os estrangeiros, trabalhadores forçados e judeus tiveram de fornecer cerca de 70 por cento do dinheiro de que a máquina de guerra alemã precisava diariamente. Sobre a base dessa dupla discriminação, de raça e de classe, a grande massa dos alemães desfrutou até à segunda metade da guerra de uma boa situação. Durante muito tempo, ignoraram o outro lado, criminoso, do seu bem-estar, um imperialismo social e racista adoçado pelo palavreado socializante dos seus dirigentes.

Definitivamente, há duas questões, pelo menos, que ficam claras: em primeiro lugar, que mais de dois terços das receitas de guerra alemãs foram obtidas a partir da exploração de recursos estrangeiros e das raças "inferiores"; em segundo lugar, que o terço restante foi distribuído entre camadas sociais alemãs de forma muito desigual: um terço dos contribuintes carregou com mais de dois terços dos custos de guerra assumidos pelos cidadãos alemães, ao passo que a grande maioria repartia entre si o pequeno resto.

Se confrontarmos as cargas tributárias da guerra, por um lado do clássico trabalhador assalariado e, por outro lado, dos empresários, a diferença é ainda mais clara. Como se mostrou nos capítulos anteriores, a família operária alemã média não teve de pagar até 8 de Maio de 1945 impostos directos de guerra. Os indirectos, agravamentos ao consumo de cerveja e tabaco, foram compensados pela ajuda de manutenção surpreendentemente grande para as famílias dos soldados e pelos próprios ordenados que os soldados recebiam. Em geral, a grande maioria dos alemães desfrutaram durante a guerra de mais dinheiro do que nos últimos anos de paz.

Nesta secção ocupámo-nos das receitas correntes de guerra, que até Agosto de 1944 cobriram cerca de metade dos gastos de guerra reais. O resto foi financiado essencialmente através de créditos. O capítulo seguinte mostra de que forma o Reich obteve esses créditos e como previa descarregar a consequente dívida sobre as costas dos povos subjugados, após o fim vitorioso da guerra."

Felizmente, foram derrotados pelo esforço conjunto dos Estados Aliados e pela luta dos povos subjugados, mas o rasto imundo que deixaram, emporcalhou, não só a história da Alemanha, do seu povo, mas de toda a Humanidade.

Livro imperdível.

A ler, obrigatoriamente. 

A frase final deste impressivo livro é brutal, mas certeira:"Aqueles que se negam a falar das vantagens desfrutadas por milhões de alemães comuns não deveriam atrever-se a falar do nacional-socialismo nem do holocausto."


publicado por weber às 11:38
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