Quarta-feira, 6 de Junho de 2012

A mulher de César já não mora aqui

É um artigo deveras interessante este de Naomi Wolf: a mulher do politico sai de cena.

Os poderosos deste mundo, sobretudo das chefias dos Estados, machos, tinham sempre uma adorável mulher, que os acompanhavam, ou não,mas que era instrumentalizada com esse statu "mulher de".

Por vontade dos eleitores as coisas estão a mudar. É o que sublinha esta opinião de Naomi Wolf.

Este pedaço para percebermos:

"O novo Presidente da França, François Hollande, não é casado com a sua companheira, a encantadora jornalista política Valerie Trierweiler, e ninguém parece preocupar-se. O Presidente da Alemanha, Joachim Gauck, não é casado com a sua companheira, a jornalista Daniela Schadt, e ninguém parece preocupar-se. Andrew Cuomo, governador de Nova Iorque, não é casado com a sua companheira, a guru da domesticidade Sandra Lee, e ninguém parece preocupar-se. Seria fácil continuar esta lista. Estará a veneradora mulher do político – que de tal forma é parte integrante do cenário político que tem a sua própria iconografia, desde os tailleurs de malha à forma deferente de olhar para o seu marido – a ficar ultrapassada? É verdade que, pelo menos no que diz respeito à América, ainda se tira partido do papel da mulher do político. O Presidente Barack Obama pode ter sofrido a sua primeira grande queda nas sondagens – e o seu primeiro verdadeiro deslize junto das eleitoras – quando Hilary Rosen, uma apoiante partidária, afirmou que Ann Romney, mulher de Mitt Romney, candidato republicano às presidenciais, nunca tinha trabalhado. Mas a resposta à observação de Rosen sublinhou a ausência do habitual escrutínio minucioso ao cabelo e ao vestuário, à profissão e às receitas de biscoitos da mulher do político. Foi apenas há 20 anos que, durante a primeira campanha presidencial de Bill Clinton, a carreira de Hillary, sua mulher – ou seja, o facto de ela ter uma carreira – gerou discussões acesas e injuriosas. Houve mesmo o seu absurdo "bake-off" contra a primeira-dama Barbara Bush, em que ela teve que criar uma receita de biscoitos, a fim de satisfazer uma exigência cultural persistente de domesticidade na função."


publicado por weber às 17:45
link do post | comentar
partilhar

. ver perfil

. seguir perfil

. 8 seguidores

.pesquisar

 

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. A mulher de César já não ...

.arquivos

.tags

. todas as tags

.últ. comentários

Chame-me Parvo….Pois é, Sr. Pedro Tadeu, é isso me...