Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011

5 de Outubro

Nesta mesma data, em 1910, há pois 101 anos, a monarquia morria em Portugal, exausta, moribunda, cadáver em putrefacção.

Os partidários da república reinventaram, nas peúgadas dos iluministas, dos homens das luzes e dos revolucionários franceses, assim como dos americanos, novos lexomas, um novo dicionário.

O que é mais relevante é o de NAÇÃO, que Salazar deveria continuar a dar-lhe uso e polimento:- Tudo pela nação; nada contra a nação.

Era o critério de validação e de avaliação.

Foi pela NAÇÃO que Portugal participou na guerra de 1914-18 e foi pela NAÇÃO que Portugal se enredou nas guerras coloniais de 1961 a 1974.

Lucien Febvre numa trintena de lições, dadas entre 1944 e 1953, no Collége de France, em Paris, aborda a mítica Europa dos gregos antigos até ao século XX. Detecta uma realidade curiosa. Durante séculos a fio se falou de pensamento europeu, de povos europeus, de reinos europeus, de dinastias europeias. Com a emergência da revolução francesa de 1789, aparece uma nova realidade: a Nação. Tudo é feito pela nação. Guarda Nacional, Assembleia Nacional, as Finanças Nacionais, a Guerra Nacional, até os Curas das paróquias, tornaram-se "curas nacionais".

Colado a esta nova realidade, colou-se-lhe uma outra: Povo.

Dois conceitos que tudo vieram baralhar: Nação e Povo.

Ainda hoje, qualquer destes léxicos, destas categorias, na boca de um comunista, de um socialista, de um social-democrata de um militante do CDS/PP, ou na boca de um Alberto João, têm significados e alcances diferentes.

Na actual crise que assola a União Europeia, reganharam brilho estes bafientos e estapafúrdios conceitos: Nação e Povo.

Volta-se a enunciar o "povo" grego e a "nação" grega.

Como dizia Sto. Agostinho:- Se penso em tempo nada me confunde. Se me pedem para definir tempo...tudo se torna complexo e complicado.

A frase não é assim, mas o alcance é-o.

Assim estamos para nação e povo. Aparentemente, todos sabemos, o que significam. Pois. Peçam a um amigo vosso para definir um e outro conceito. Uma bagunça.

Ao invés do cidadão francês, "eu sou republicano e francês, da nação" eu gosto de dizer, simplesmente: - Eu sou europeu, da Europa, como civilização.

As dores da Grécia, da Irlanda, de Portugal...são os meus achaques e os meus males.

Esta é uma abordagem redutora do tópico, mas ainda assim visa "provocar", somente.

Quadro - De Eugéne Delacroix, "La liberté guidant le peuple".

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publicado por weber às 11:37
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