Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

Sita Valles

 

"Conheci" Sita Valles na velha sede da UEC, à Rua Sousa Martins.

Era uma força da natureza. De uma inteligência luminosa. Uma capacidade de trabalho inesgotável. Tinha chegado à direcção da estrutura estudantil do PCP por mérito próprio. Ombreava, então, com a "poderosa" companheira de Carlos Brito, Zita Seabra.

O resto, bem, o resto já faz parte da história.

Ironia, hoje, Zita Seabra, editora, proprietária da chancela Alétheia (parece que quer dizer desvelamento, combina verdade com realidade...) publica uma espécie de biografia desta "revolucionária", que "desapareceu" em Angola, às mãos dos verdugos do MPLA em 27 de Maio de 1977.

Na biografia de Zita Seabra, publicada, também, pela Alétheia, ela faz referência a Sita Valles, a uma reunião com Álvaro Cunhal onde este a tenta demover de ir para Angola (ajudar a revolução...). Não a conseguindo contrariar, diz-lhe que ela irá por sua conta e risco...

Francisco Seixas da Costa, Conselheiro da embaixada portuguesa em Angola entre 1982-86, no seu blog, faz um recensão do livro agora dado à estampa e da autoria da jornalista Leonor Figueiredo. 

Manifesta-se surpreso e, de algum modo, pareceu-me, desiludido com a pouca informação nova aí plasmada.

Considera ele que existe uma espécie de tabu histórico sobre aqueles infaustos acontecimentos. Ninguém quer falar.

Quem sabe...nada diz.

Quem pensa saber...também pouco diz.

Grande imbróglio.

A história, sobretudo a imediata, tem destes melindres.

Sita Valles tem um irmão, vivo, advogado, militante socialista conhecido, casado com uma ex-comunista, Ana Simões, advogada, também, que, à data dos acontecimentos estavam ambos a viver e a trabalhar em Luanda.

Havia um outro irmão, também em Luanda, que desapareceu na "chacina" do 27 de Maio de 1977. 

Creio que só quando a democracia se instalar em Luanda poderemos sonhar "saber" algo de consistente sobre os acontecimentos de Maio de 1977.

O que aconteceu com a "fome" provocada por Estaline na Ucrânia, entre 1932-1933, e com a chacina de 25 000 oficiais polacos em Katyn pelas hordas da policia secreta de Estaline, em 1939 - só agora, com a chegada da "democracia" à Rússia foi possível saber-se, de fonte segura o que ocorreu. O relatório soviético da chacina de Katyn foi já entregue às autoridades polacas por Vladimir Putin.


publicado por weber às 10:50
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