Segunda-feira, 19 de Julho de 2010

Joseph Priestley

 

Inglês, contemporâneo de Newton e de Franklin, filósofo, teólogo e linguista é, também, milenarista e acredita no Apocalipse. Apoiou com entusiasmo a Revolução francesa. É feito cidadão francês e chega mesmo a ter assento na Assembleia Nacional. Regressa a Inglaterra onde é recebido com hostilidade. Embarca para os estados Unidos em 1794, onde veio a falecer.

Do seu Lectures on History (...) retenhámos esta ideia:

«O facto de, actualmente, o estado do mundo, particularmente na Europa, ser altamente preferível ao que era em não importa que período precedente é uma evidência que entra pelos olhos dentro. Há milhares de factos que mostram como os antigos eram inferiores aos modernos, não só nos conhecimentos religiosos, na ciência em geral, no governo, nas leis - não só as nações, como as de cada Estado em particular -, como nas artes, no comércio, nas comodidades da vida, nas maneiras e, consequência de tudo isto, em felicidade.»

Priestley viu na Revolução Francesa o terramoto anunciado nas Escrituras e que devia acelerar a transição para o estado edénico. Em 1799, num escrito em que se apoiava nas revelações de Daniel e do Apocalipse, dirigia-se aos judeus para lhes anunciar o próximo regresso à Palestina, a reunião de todas as religiões, a aniquilação do papado, dos Turcos e dos reinos da Europa e, por fim, o estabelecimento do reino de Deus sobre a Terra.

O resultado mais notável desta concepção milenarista, que apanha tanta gente (Leibniz, Bacon, Kant, Newton, Condorcet, Priestley, etc), mas só ela permite entender Marx, Lenin, Mao ou Pol Pot.

Van Doren, outro milenarista, dá o nome de "planalto" a este "reino", porque atingido esse nível, a história atingirá o seu termo, a humanidade não evoluirá mais, excepto para desaguar com estrondo no juízo final.

O marxismo, apesar de ter rompido com o milenarismo clássico e com as suas fontes judaicas e cristãs, assenta aí arraiais.

O marxismo nunca se preocupou com o que se passaria para lá do "planalto" da sociedade comunista, o mesmo não acontecendo com o milenarismo, para o qual as profecias haviam previsto um oputro desenlace - Satanás de novo desembestado, a irrupção das forças de Gog e de Magog e o juízo final.

Em 1785, Schiller escreve o seu espantoso Hino à Alegria:

«Onde as tuas asas se pousam suaves

Todos os homens se tornam irmãos (...)

No seio da Natureza

Todos os servos se nutrem de alegria.

Bons ou maus, todos os homens

Seguem o seu traçado de rosa.»

E reparem-me nesta parte da Internacional, composta por Eugéne Pottier, communard, em 1871:

«É a luta final (...)

É a irrupção do fim.

Do passado façamos tábua rasa (...)

O mundo vai mudar de fundamento (...)

Se os corvos, os abutres,

Uma bela manhã desaparecerem,

É para sempre que o Sol vai brilhar.»

Há tanta proximidade entre um e outro milenarismo, messianismo, que até dói.

A vida, entretanto, encarregou-se de não lhes dar razão. 

Nem a uns, nem aos outros.

A vida supera, sempre, qualquer narrativa, seja ela filosófica, politica, artistica ou até religiosa.


publicado por weber às 11:39
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