Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

A tempestade

Passei os olhos pelos jornais.

Nada.

Tirante o recorrente Bósnia-Portugal, que dará (?) "apuramento" para o Mundial de futebol na África do Sul...nada.

A "face oculta" já enjoa.

As competências do PSTJ e do PGR já agonia.

A avaliação dos professores está a dar as últimas.

As iniciativas, a roçar o anedótico, dos PPD/PSD e mai'la senhora Ferreira Leite é de ir às lágrimas.

Os esquerdistas e os direitistas justicialistas da blogoesfera andam que parecem umas baratas tontas.

Há muito desnorte e "dessul" por estes media fora.

Quando me sinto assim, refugio-me, sempre, no Nordeste Trasmontano, em Estevais, freguesia da Castelo Branco, concelho de Mogadouro onde pernoita, em meu entendimento, o maior escritor português da actualidade: José Rentes de Carvalho.

E, acto continuo, leio-lhe os postes e, zás, trago-os pr'á minha rua.

Aqui está mais um que se publica in extenso.

 "Chuva forte aqui nos montes nunca assustou, mas preparos de dilúvio, com trovões, relâmpagos, e nas entranhas da terra um ribombar de locomotiva em crescendo fortissimo, às quatro da manhã a aldeia acordou. Escuro de breu, porque a luz tinha "caído", mas ao contrário de antigamente nenhum grito de medo, nenhuma invocação ao Altíssimo, só um ou outro "Ai Jesus!", aqui e além uma cabeça a espreitar.

De manhã a água não tinha ainda escoado. Alguém disse que se tivéssemos barcos e a rua fosse plana tinha sido como se vê às vezes nas notícias. Acenámos que sim, e por um instante imaginámo-nos a ser entrevistados para a TV, apontando paredes caídas, telhados danificados, os buracos que a enxurrada teria aberto na rua. Falou-se depois do temeroso e inexplicável ribombar. Um tinha quase a certeza de que fora avião a voar baixo. Outro, com mais certeza, porque já tinha visto disso em África, garantiu que era o barulho duma tromba de água. Mais modesto, um terceiro alvitrou que o vento às vezes...

Por volta da hora do almoço o céu apareceu azul, o sol brilhava forte, eu ia a passar quando o senhor Zacarias me chamou com um aceno. De manhã tinha ouvido a conversa e queria-me uma fala:

- São uns tontos! Julgam que as chuvas e as trovoadas aparecem sem mais nem menos. Se passassem as noites como eu a olhar para a serra haviam de ver coisas que nem acreditavam. Mas não adianta. Para eles só televisão, a televisão é que é."

 


publicado por weber às 10:40
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