Domingo, 24 de Outubro de 2010

O messianismo de Marx

 

Neste post, colocado pelo meu amigo João Tunes, sobre Karl Heinrich Marx e sobre o seu pensamento, destacam-se quatro, poderiam colocar-se outras mais, situações interessantes.

A primeira  situaçãoé o sublinhado que este filósofo polaco faz do carácter messiânico e vazio do pensamento marxiano. 

Este aspecto remete para abordagens antigas sobre o mesmo feitas pelo alemão Dietrich Schwanitz, que escreveu um precioso, quanto interessante, livro síntese da filosofia, dos filósofos, das correntes e ideologias produzidas ao longos dos séculos.

Esta obra foi feita a pensar nos jovens estudantes universitários que denotavam uma incultura filosófica e cultural impressiva. Este professor resolveu este constrangimmento  em quase 600 páginas que se lêem com um prazer imenso e um proveito maior.

A segunda situaçãoé o facto do filósofo francês, vindo do pensamento calvinista, mas considerado, hoje, como dos mais importantes filósofos do século XX, Paul Ricoeur, ter assumido a critica do pensamento marxiano, também deste modo, mas juntando-lhe um outro aspecto curioso: "alta escola da suspeição". O francês, neste território equiparava o marxismo à psicanálise de Segismundo Freud (ele, também, judeu) e ao sistema, altamente complexo, de Nietzshe, este não judeu.

A terceira situaçãoé o facto de um dos mais importantes historiadores do Judaísmo e do Cristianismo, Paul Johnson, ter sublinhado o facto de, sendo Marx filho de uma judia holandesa, praticante, que nunca abjurou e de pai alemão, filho de rabinos, mas que se "converteu", por puro pragmatismo, ao cristianismo luterano e malgrado Marx ter "rejeitado" a sua "origem" judaica - toda a sua actividade, tanto o modo, o tempo, como a própria substância só se compreenderem à luz das características peculiares das comunidades askenazi do Norte da Europa. Isto acontece com Marx,  com Otto Bauer, Boukarine, Rosa Luxemburgo, Kamenev, Karl Liebenick, Walter Benjamin, e não só, que rejeitam o "pensamento" e o "sentir" judaico, mas não lhe conseguem fugir no pensar e no agir...

A quarta situação é o facto de um pensador progressista como o João Tunes, muitos anos imbuido de "marxismo", que já tinha desconstruido o "cunhalismo" nacional, e por arrasto o "estalinismo" puro, ou o de pacotilha; já tinha tinha iniciado, praticamente, a critica à praxis leninista, estreia-se agora, por via do filósofo polaco, na desconstrução do pensamento marxiano, de Marx, ele mesmo, pai e fonte de todos o embustes que se lhe sucederam.

Houve, ao longo dos tempos, criticas fora dos círculos marxianos. Mesmo tentativas de aggiornamento (pensadores marxistas franceses e italianos, sobretudo). Na actualidade há o Zïzek (mas não só), meio estarola, um cómico, que tenta reinventar o marxismo, sem o desconstruir.

Entretanto, começa a fazer caminho um processo interessante de critica consistente da "bíblia" e do "messias" marxianos, sem preconceitos ou rancor - só no terreno das ideias e das suas consequências.

Bem vindo, pois.

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publicado por weber às 10:38
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