Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011

Manuel Maria Carrilho

Este cidadão, nascido em Coimbra, vive em Viseu até aos 18 anos,  numa família importante e ligada ao antigo regime, tem tudo para ser "feliz".

É professor de universidade, tem boa onda, veste bem, está bem casado com mulher bonita e inteligente, a que acresce uma visibilidade publica notória.

Ao que se diz tem filhos encantadores.

Além do mais tem uma boa imprensa cor-de-rosa.

O que faz correr, então, este socialista em escritos no DN, entrevista no Público e presenças em quase todas as TV's nacionais?

Eu não percebo lá muito bem.

O que quer o ex-ministro da cultura de António Guterres?

Fui ler-lhe o artigo hebdomadário no DN e, de facto, alguma coisa me ficou.

A primeira, como diz um aforismo brasileiro, "a teoria, na prática não é bem a mesma coisa".

Reparem o que diz o teórico do pensamento politico, cuja propositura para "agir" é sugestão mais do que impressiva, no tal de artigo:

(...)« O facto de as minhas previsões terem sido "certeiras" não me orgulha nem me satisfaz, bem pelo contrário. Porque os problemas eram evidentes para quem os quisesse ver, e porque os erros vão sair muito caros ao País.

Insinuar agora que o que eu penso e digo se deve a qualquer ressentimento ou episódio recente, como há dias fizeram Almeida Santos e o "comité" de recandidatura de José Sócrates à chefia do PS, é, na verdade, indigno. E só refiro esse episódio porque é curioso recordar que, se o meu afastamento da UNESCO teve por motivo próximo a publicação do meu livro E agora? e a entrevista que então dei ao Expresso, o motivo de fundo foi o de eu ter argumentado até ao limite, nas eleições para a liderança daquela organização, contra o apoio do nosso país à candidatura de uma figura de proa da ditadura egípcia, cujos méritos, então muito elogiados por José Sócrates, todos temos nestes últimos dias observado em directo...

Por outro lado, argumentar com o imperativo da "unidade do partido" para enfrentar a crise também não adianta, porque se há coisa de que o líder do Partido Socialista beneficiou durante todos estes anos foi de um unanimismo quase total. E isso não evitou a sucessão de erros que agora se quer disfarçar.

A crise que o País vive deve-se em boa parte às opções do Governo nos últimos dois anos e meio. Reconhecê-lo é, por mais desconfortável que seja, um acto de responsabilidade política elementar. Essas opções não foram nunca realmente discutidas no âmbito do Partido Socialista, que tem sido dirigido numa lógica de facto consumado, por um pequeno grupo de profissionais do poder, cuja eficácia - ainda que "danosa" - não se deve desvalorizar, a julgar não só pelo modo como subjugaram o partido mas também pela maneira como fizeram do País seu refém.

A crise é por isso, antes do mais, de ideias e do seu debate. Dos modos de deliberar, de participar e de decidir. Andar agora a "desafiar os críticos a avançar" para a liderança do partido é não compreender que cobiçar o poder e desejar o debate são coisas distintas. É recusar aos militantes o direito a pensarem por si próprios e a exprimirem-se livremente, a não ser que aceitem disputar o poder. O "desafio" traduz uma visão da liberdade e do pluralismo que é inaceitavelmente condicional - "só podes ser livre dentro da minha gaiola" -, própria de quem vê no debate livre e aberto de ideias uma ameaça, e não uma porta para as soluções de que o País precisa.

Sem ideias e sem debate iremos sentir até ao fim os efeitos desastrosos desse cocktail fatal de que já falava Maquiavel - a mistura da obsessão do poder com os efeitos da ignorância. E depois de um tal fim, a ressaca será à sua medida. Os militantes livres do Partido Socialista deviam começar a pensar nisto

Vale a pena ler o artigo todo: uma verdadeira aula de ciência politica...mas para retardados mentais.

As ideias explanadas...de uma indigência que até dói.

Mas este naco, de substância, parte final e finalizante é o que importa.

Manuel Maria Carilho, quem é, no Partido Socialista?

Sabemos pouco da sua vida partidária.

Sabemos quase nada das implicações orgânicas, da militância partidária, do cidadão.

Sabemos que vem de Viseu.

Conhece-se a família.

E ponto.

Depois, bem, depois, aparece Ministro da Cultura, em 1994, no Ministério de António Guterres e com um Secretário de Estado de grande gabarito, o musicólogo Rui Vieira Nery, com quem, rapidamente, se desentende e "despede-o".

Este é substituído por uma ilustre desconhecida à época, Catarina Vaz Pinto, actual mulher de António Guterres.

Manuel Maria faz um trabalho excelente, deixa obra à vista, e de qualidade, pelo país fora.

Quando lhe cortam as unhas no OGE...desiste e vai-se embora em 2000, sendo substituído por José Sasportes.

Em 2005, a convite de José Sócrates, já e então SG do PS, vai disputar eleições para a Câmara de Lisboa contra Carmona Rodrigues.

Todas as sondagens davam-no vencedor desde Julho desse ano.

Uma sucessão de erros, de avaliações desajustadas e de desempenhos pirricos (a célebre recusa de apertar a mão a Carmona Rodrigues à saída de um debate televisivo foi um deles) e a soberba que sempre transportou, explicam a derrota tremenda que sofreu a favor do Engº Carmona Rodrigues.

Ainda assim, e outra vez José Sócrates, convida-o para assumir cargo de alto prestigio, Emabaixador, na esfera da cultura, na instituição mais importante de todas: a UNESCO.

Em Abril de 2008 toma posse do cargo.

Em 2010, no quadro de uma "rotação" diplomática ( de que ele teve conhecimento prévio...) é substituído.

Sabe-se o sururu que criou esta "demissão"...

Isto tudo para dizer o quê?

1/ Manuel Maria Carrilho conhece o PS e o seu funcionamento;

2/Manuel Maria Carrilho dele, funcionamento, beneficiou;

3/Foi o que muitos militantes socialistas, tão ou mais competentes do que ele, nunca o poderão ser.

Com comportamentos erráticos em relação ao Partido Socialista, o que pretende, verdadeiramente, Manuela Maria Carrilho?

Creio eu, que nem ele próprio o sabe.

No artigo do DN, de modo canhestro, sem elevação, com muito pouco chá, diz que não vai a jogo para o próximo Congresso.

Porquê?

Simples: não tem tropa, não tem apoios, nem sabe como tal se faz numa instituição como são os partidos, como é o Partido Socialista.

O que pretende então?

Veja-se a parte final do seu artigo do DN, e cito: "Os militantes livres do Partido Socialista deviam começar a pensar nisto."

Aqui está o quid, a chave, a solução para o enigma.

Manuel Maria pretende ser, e tão só, um chefe de claque, dos "militantes livres", ou o que quer que isto queira dizer.

Boa sorte, pois, para tão grandiosa, quanto sublime tarefa, senhor Professor Doutor Manuel Maria Carrilho.

Você merece-o.

A Pátria, essa, deseja-o!

Depois de encerrar estes meus "sumptuosos" considerandos sobre tão impante personagem, fui-me ao Aspirina B e topei com este severo e contundente retrato do bestunto "coimbrinha", que não é, de facto, mais que um comboio de camelote de loja dos 300 descarrilhado.

A ler. 


publicado por weber às 15:37
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