Terça-feira, 14 de Junho de 2011

De re diplomatica libri sex, Jean Mabillon

"Jean Mabillon era filho de Estienne Mabillon (que morreu em 1692aos 104 anos) e Jeanne Guérin. Aos 12 ele ingressou no Collège des Bons Enfants em Reims e em 1650 no seminário dessa cidade. Ele deixou o seminário em 1653para se tornar um monge numa abadia maurista. Sua devoção aos estudos deixou-o doente, e ele foi enviado para Corbie em 1658 para recuperar as forças. Em 1663 ele foi transferido para São Denis, perto de Paris, e no ano seguinte para a abadia de Saint-Germain-des-Prés, também em Paris, onde ele se encontrou e trabalhou com vários outros estudantes, incluindo Charles du Fresne, Etienne Baluze, e Louis-Sébastien Le Nain de Tillemont.

Em Saint-Germain, Mabillon editou os trabalhos de Bernard de Clairvaux (publicado em 1667), e também trabalhou nas Vidas dos santos beneditinos (publicado em 1668). Em 1681 ele publicou De re diplomatica libri sex, que investigava os diferentes tipos de escrita medieval e manuscritos e agora é visto como o trabalho fundador da paleografia e da diplomática."

Esta é uma pequena noticia tirada da Wikipédia e que remete para um dos livros fundamentais para o rigorismo que a consulta de documentos e provas deve conter no trabalho do historiador, qualquer que ele seja e em que escola esteja filiado.

E tal vem a propósito de um texto complexo (mais do que uma primeira leitura do mesmo pode sugerir...) publicado pela historiadora Irene Flunser Pimentel no jornal  Publico de 13 de Junho p.p., a pretexto de um processo judicial que corre os seus trâmites nos tribunais portugueses.

Assunto tomado de empréstimo à Ana Vidigal, que o editou no "jugular", que pode ver aqui e, clicando na imagem, lê-lo confortavelmente.

A importância deste texto prende-se, não só com a exigência do método histórico, mas ainda assim com a liberdade do historiador, assumindo por isso o preço da "interpretação", da aproximação à realidade, que não é, suficientemente, sustentada pela "prova", pelo "documenta".

Vale também, o texto de Irene Flunser Pimentel, para enquadrar muitos dos debates que ocorrem na blogoesfera, nos media.

Enquinados, as mais das vezes, por que utilizando metodologias diversas, esbarram nas paredes da incomunicabilidade.

Um politico, utiliza, muitas das vezes, linhas narrativas inveridicas, para afirmar ganhos eleitorais.

Um jornalista obriga-se a preceitos de rigor, de procura de verdade, de confronto de opiniões, contraditório, versões, de modo a fornecer dados e capacidade de escolha aos seus leitores.

Um comentador, travestido de militância escondida, usa e abusa de truques, que a poucos interessam, mas que a muitos engana.

Este triângulo, confronta-se, amiúde, muitas vezes, não se conseguindo entender. Et pour cause.

Já o texto de Irene Pimentel, historiadora, das melhores da nossa actualidade historiográfica, é fundamental para se entender o plano do historiador, o plano do Juiz, mas deixa implícito, sem explicitar, a liberdade do criador artístico, que pode bem ficcionar o real, sem que daí advenha qualquer prejuízo para a história, menos ainda para o historiador.

Mas este é outro debate, outro enfoque.

Gravura retratando Dom Mabillon.

 


publicado por weber às 12:17
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