Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

A flor e a foice 2

J. Rentes de Carvalho serve-nos, uma vez mais, uma dose fortíssima do seu livro ainda à espera de editor...em Portugal.

Eu sou adicto da verdade, mas esta dói, por que nos confronta com a nossa pequenez, com as nossas misérias e fanfarronadas.

Sabemos, sabe-o também o escritor de Estevais, que, as mais das vezes, precisamos, cada um de nós e os povos, as comunidades, quer seja de literatos ou outras, de distância geográfica e temporal para nos olharmos e, mais ainda, para nos entendermos.

É por isso que o melhor "pensador" de Portugal, como destino, ainda é o nosso emigrante francês Eduardo Lourenço ou, antes dele, o nosso tio da América, Jorge de Sena.

O escritor trasmontano, holandês, é outra coisa.

Para já é talhado em granito.

Não tem a manhosice do beirão E.L. nem a verrina do Sena.

Mas, para meu gosto, tem a bruteza das palavras certas e das análises que mergulham fundo como as fragas de Picote.

Saboreiem-lhe a verve e os socos.

Contudo, por amor de uma verdade, reconheça-se que os houve corajosos e desafrontados: mestres Aquilino Ribeiro e, de algum modo, Ferreira de Castro; Luandino Vieira e Soeiro Pereira Gomes (o Redol não conta e di-lo J.R.C. muito bem; era proprietário de uma fábrica de cerâmica em V.F. de Xira onde tratava, brutamente, os operários; putanheiro de cabaret, patranheiro e amante de noites báquicas em Lisboa e...).

A seu modo, o José Cardoso Pires pode enfileirar nesta pequena gesta de bravos e valentes.

Mas como o diz, severamente, JRC sobram muitos dedos das nossas mãos para alinhar dez, que fossem, escritores corajosos e valentes...ao tempo do botas de Stª Comba Dão.

Por amor da verdade ainda importa referir um nome, de muita coragem e deveras penalizado pelo fascismo:Óscar Lopes.

JRC dedica-se a desconstruir um mito, ainda hoje peganhento, persistente: o papel "importante" dos intelectuais, escritores, poetas, novelistas anti-fascistas...de esquerda, marxistas que se "colocaram ao serviço do povo, ou colocando o povo como herói colectivo das suas obras"...

Mais bravos foram um Nuno Bragança, um Alçada Baptista, uma Sophia de Mello Breyner Andressen, até uma Agustina, ou um Egito Gonçalves...

E basta.

PS - Fora eu editor e mandava-me já para Amsterdão negociar a publicação deste, ainda hoje, necessário livro sobre os literatos no fascismo e no 25 de Abril...da autoria de J. Rentes de Carvalho.


publicado por weber às 11:30
link do post | comentar
partilhar

. ver perfil

. seguir perfil

. 8 seguidores

.pesquisar

 

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. A flor e a foice 2

.arquivos

.tags

. todas as tags

.últ. comentários

Chame-me Parvo….Pois é, Sr. Pedro Tadeu, é isso me...