Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011

A América liberal

Tony Judt, definia-se como um israelita, não judeu, nasceu na Inglaterra.

Começou por ser um activista das "comunas" agrícolas de Israel, foi sionista, de origem askenasi, mas foi-se afastando do pensamento dominante no Estado de Israel.

Historiador, veio instalar-se em Inglaterra, onde lecionou e fez investigação. Escrevia com regularidade para publicações americanas a aí ministrava seminários anuais.

Provavelmente o melhor historiador da nossa contemporaneidade, século XX.

Morreu em 2010.

Deixa uma obra deveras interessante sobre a Europa pós guerra depois de 1945.

As nossas Edições 70 publicaram um colectânea de artigos, designados por o "Século XX esquecido, lugares e memórias".

Tem artigos, recensões de livros, mas não só, inultrapassáveis.

De um desses, dedicado à "morte da América liberal" dos finais dos anos 90 do século passado, respiguei esta tese, que me parece quase universal:

pp 395: "Mas, no país, os intelectuais liberais da América vão-se rapidamente tornando uma classe de serviço, com as opiniões determinadas pela filiação e calibradas para justificar um objectivo politico. É claro que em si essa não é uma tendência nova: todos conhecemos intelectuais que só falam em nome do seu país, classe, religião, «raça», «sexo» ou «orientação sexual», e que moldam as suas opiniões segundo o que julgam do interesse da sua afinidade de berço ou preferência. Mas no passado a característica distintiva do intelectual liberal foi precisamente o empenho na universalidade; não a negação ascética ou insincera de transcender essa identificação na procura  da verdade ou do interesse comum."

Na nossa comunidade de intelectuais, uns já falecidos, lembro-me de Vítor Cunha Rego, Bennard da Costa, Alçada Baptista que integravam essa elite de seres pensantes, inteligentes, em procura da verdade e da universalidade.

Gente raríssima.

Provavelmente, na actualidade, o único que se lhes pode comparar: Vasco Pulido Valente.

O José Pacheco Pereira e o José Adelino Maltez, cultos, aqui e acolá a aproximarem-se daqueles, mas muito erráticos e sem a disciplina "ascética" que é obrigatória para a "liberdade" de pensamento em demanda do graal, que é a verdade e a sua dimensão universal...como ética e menos como categoria ontológica, esta, sempre questionável.

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publicado por weber às 10:24
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