Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011

Os órfãos de Ulianov

Vai um debate, não direi interessante, mas curioso, na blogoesfera em torno de uma contratação recente de um "escriturário" do 5 Dias, um tal de António Figueira pelo espantoso Miguel Relvas para o assessorar nas suas insanas, quanto "grandiosas" tarefas governativas.

Este Figueira era conotado, ideologicamente falando, com a esquerda mais revolucionária que existe em Portugal, marxista à outrance, leninista por convicção.

Pelo menos deixava-se envolver com essa classificação.

Nunca sobre tal se insurgiu.

A sua "amizade" ideológica e politica com o biltre e amoral Nuno Ramos de Almeida, dono do 5 Dias, não ajudavam a "afastá-lo" de tal designação.

A questão que se coloca, que alguns têm colocado: pode-se ser marxista, quiçá leninista e ir assessorar o ministro Relvas, dito Miguel?

Eu respondo, sem hesitar: pode.

Tanto assim é, o facto de o Figueira aparecer já nomeado em Diário da República, com a validade do contrato, com as condições remuneratórias, com o número de "salários" por época e etc aí estão para o atestar.

Só não se percebe bem é o que é que o homem vai fazer para o Governo.

O homem vai realizar estudos e prestar apoio técnico no âmbito da respectiva especialidade (veja-se o número 1 do Despacho).

Que estudos? Que especialidade?

É público que o homem é especialista em assuntos Europeus (creio mesmo que é premiado em trabalho doutoral) e em marxismo, e em leninismo, e em marxismo pós-moderno...Um ministro de um governo, que associa a social-democracia com os liberais de Portas, precisa, mesmo, destas especialidades?

O Figueira defendeu-se já deste tipo de ataques, dizendo-se especialista em "comunicação institucional". Veja-se a lista de assessores do ministro Relvas e descobre-se que, quase todos eles, são especialistas em "comunicação".

Resta saber é se todos são "institucionalistas", como o Figueira. Pode ser que resida aí o alto critério do recrutamento.

Mas, o meu ponto versa sobre a orfandade "leninista". É aqui, creio eu, que está o quid da contratação: convite e aceitação.

Antigamente, havia as irmandades marxistas, as leninistas, as maoistas, as guevaristas...

Hoje, o que sobra, nestas hostes de leprosos?

A "orfandade" e o ódio ao socialismo democrático.

É dar-lhes a possibilidade de destilarem o ódio, com dinheiro na algibeira, e aí vão eles a correr para onde os convidarem.

Preocupações de compatibilidade ideológica? Nem um pingo.

Melhor dito.

Os órfãos de Lenin confundem, conscientemente, o inimigo principal com o adversário principal e promovem, as mais das vezes, este à categoria daquele.

Durante a consolidação do Estalinismo na velha Rússia, sustentaram que os "sociais-democratas" de Vandervelde, de Kautsky, de César de Paepe, de Léon Blum, de Kerensky, de Martov, eram os adversários, conjunturais, mas principais. Sempre definiram a Burguesia (coisa imprecisa...na teoria marxista, mas aceite-se...) como o inimigo principal, a quem era necessário sacar a propriedade dos meios de produção e o poder das mãos dos seus representantes.

Hoje as coisas estão diferentes.

Veja-se o caso do Nuno Ramos de Almeida.

Convidado pela Manuela Moura Guedes, quando ela mourejava contra Sócrates (a favor do PSD...) na TVI...lá foi ele colaborar com ela, activamente, e a troco do vil metal. Quando esta foi "afastada" do canal de Queluz, e se ofereceu ao tio Balsemão...consta que este Ramos de Almeida estaria no pacote de colaboradores da jornalista.

As coisas, entretanto, mudaram.

Lá temos o Nuno Tito como Editor Executivo, no jornal i, então do grupo Lena, mas agora na versão Paulo Portas, CDS/PP, António Ribeiro Ferreira.

Como se encaixa isto? Como se encaixam as ideologias próprias, com os serviços ao "inimigo"?

Por que se pode aceitar um engenheiro comunista, a trabalhar para uma multinacional de petróleos, ou de computadores, ou de obras públicas? Por que, o que ele vende são as suas competências técnicas, e só. A sua alma, não!

Um jornalista, um comunicador, o que ele "vende" são ideias, é ideologia, mesmo quando dá noticias, neutras, ele (os marxistas sabem disto desde que nasceram para o combate das ideias...), na sua selecção e enfoque, está a exercitar a sua ideologia. Ou não é assim?

Então, qual é o problema?

A orfandade, meus amigos.

O comunismo, na expressão marxiana e leninista deu o peido mestre. Foi para o caixote do lixo da história.

Então onde está o futuro? Já não pode ser no passado, claro está. Já não pode ser nas formações partidárias que se reclamam do marxismo. Eles sabem-no bem.

Está, pois e então, para eles, nos liberais. Sem sombra de dúvidas.

Veja-se o empenhamento desta gentinha na luta para derrubarem os governos socialistas (na Grécia, na Inglaterra, na Irlanda, na Espanha e...em Portugal). E qual a alternativa? A direita e o centro-direita.

Mas, sejamos justos, este governo do PSD/CDS está a pagar "todas" as facturas, tanto as individuais como as dos grupos de interesses. Pobrezinhos, mas honrados!...

Veja-se, então, para ilustrar a tese da orfandade, as seguintes derivas.

Nuno Crato, marxista, maoista albanês, ministro da educação do actual governo;

José Manuel Fernandes, marxista, maoista albanês, actualmente em actividade editorial no Público;

Henrique Monteiro, marxista, maoista albanês, na estrutura dirigente do grupo Impresa;

Zita Seabra, marxista, leninista, soviética, militante do PSD e sua dirigente até faz pouco tempo.

E, todos, eles liberais de ideologia.

O que os distingue do Ramos de Almeida e do António Figueira?

Aqueles, mudaram já de campo, de barricada e, concomitantemente, de ideologia.

Estes rapazinhos, já mudaram de campo, do ponto de vista do bloco social, faz algum tempo, mas mantêm a ilusão da ideologia redentora e messiânica do marxismo e do maior embuste do século XX, o comunismo soviético.

Quando se perde o pai, autoritário, como era o Leninismo, procura-se outro de mesmo jaez.

Em Portugal, onde é que ele está? Com poder e autoritário? No PPD/PSD.

Assim se explica o falso "bandeamento" do Figueira para o inimigo.

Nada de mais errado.

Ele está na sua casa, mas ainda com uns pequenos desvarios ideológicos.

Em breve fica curado, tenho a certeza disso.

Espera-se, digo eu, é que não morra da cura...que fique só um pedaço incapacitado.

 

 

 

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publicado por weber às 16:14
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