Sábado, 10 de Março de 2012

"Morreu vivo"


A crónica do Pe. Anselmo Borges, sem o querer, prende-se com o quadro de Magritte, que eu editei, antes de ler o texto do académico de Coimbra.

O texto do cronista que pode ler aqui pretexta a jubilação de um jesuíta, Leandro Sequeiros, académico, professor de paleontologia, que em fim de carreira deu algures uma entrevista, notável a vários títulos.

O titulo que eu utilizou tomei-o de empréstimo o padre jesuíta que, sustentou na conversa com o jornalista: o epitáfio que quero gravar na minha campa é tão só este "morreu vivo".

É das frases mais densas e perturbadoras que me foi dado ler.

Parece do domínio do óbvio, mas não é. Tem uma profundidade filosófica do tamanho da Humanidade. O que se pretende, ou deveria querer-se, para qualquer ser humano é que tivessem vidas de bondade, de piedade, de trabalho, de caridade, de ética de responsabilidade, de tal modo que fossem capazes de "epitafiar" a sua finitude deste modo poderoso "morri vivo".

Apreciem este bocadinho:
«Muitos dos seus contactos são pessoas que consideram a Igreja uma instituição longínqua. "Mas creio que da parte da Igreja há um excesso de preocupação com este assunto. A vida é muito mais ampla do que as capelinhas." Como ter afeição por instituições religiosas fechadas em problemas que nada têm a ver com a vida? "A vida humana plena e libertadora é muitas vezes maior e primaveril do que a que se oferece a partir das instituições." Como declarou António Gala, "desejo que, quando morrer, na minha lápide escrevam: 'morreu vivo'". Convida à autocrítica: "aprendemos a viver num mundo plural e secular?" A verdade é que "sedução evangélica" só se vê em grupos à margem das Igrejas e das religiões. Por isso, "vários movimentos propugnam a convocação de um Vaticano III, e outros, mais ambiciosos, sonham com uma grande Assembleia inter-religiosa, na qual as religiões debatam o seu lugar nesta sociedade complexa". De qualquer modo, "ninguém deve ter privilégios: nem as Igrejas nem os partidos nem os políticos nem as culturas. Numa sociedade igualitária, são os Direitos Humanos que devem ser a norma de conduta".»

Foto - Leandro Sequeiros, nascido em Sevilha, em 1942, especialista em geologia estrutural, teologia, filosofia e paleontologia, e com uma profusão de obras publicadas. Algumas delas traduzidas em português.


publicado por weber às 14:36
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