Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011

Do anti-semitismo

Ele há escritos que não perdem actualidade. Que podem ser produzidos hoje, mas tem origem histórica no século XIX.

Transcreve-se aqui uns nacos sobre o judeus, o judaísmo, o cristianismo e mais um par de botas e assinado por um judeu, cujo pai, rabino,  se converteu ao cristianismo.

Se alguém adivinhar quem é o teórico que se "escondeu" deste nome primevo...tudo bem.

Se não, amanhã, deslindo o mistério. 

“No que diz respeito aos judeus, o Estado cristão pode apenas atuar seguindo suas próprias leis, isto é, de forma a conceder sempre privilégios, porque permite o isolamento dos judeus em relação ao restante dos súditos, deixando-os, porém, pelas pressões das outras esferas segregadas. E tão mais severamente à medida que o judeu se encontra em oposição religiosa à religião dominante. Ao judeu também só é possível tomar uma postura, isto é, de estrangeiro em relação ao Estado, já que contrapõe a sua nacionalidade utópica à nacionalidade concreta, a sua lei ilusória à lei real. Considera como direito próprio separar-se da Humanidade; por uma questão de princípios, não toma parte no Movimento Histórico e aguarda um futuro que nada tem em comum com o futuro geral da Humanidade. Considera-se como membro do povo judaico e olha o povo judaico como povo eleito...
[...]
No seu significado último, a emancipação dos judeus é a emancipação da Humanidade a respeito do judaísmo. O judeu já se emancipou à maneira judaica. O judeu, que é simplesmente tolerado em Viena, por exemplo, determina a sorte de todo o império pelo seu poder financeiro. O judeu, que pode encontrar-se totalmente sem direitos no menor Estado germano, decide o destino da Europa. Enquanto as corporações e as guildas afastam os judeus ou, pelo menos, mostram-se desfavoráveis a seu respeito, a audácia da indústria zomba das instituições medievais.

Não se trata de um fato isolado. O judeu emancipou-se à maneira judaica, não só pela aquisição do poder do dinheiro, mas também porque o dinheiro, por meio dele e independente dele, se tornou um poder mundial, enquanto o espírito judaico prático se tornou o mesmo espírito prático das nações cristãs. Os judeus emanciparam-se à medida que os cristãos se tornaram judeus...
[...]
A contradição que existe entre o poder político prático do judeu e os seus direitos políticos é a contradição entre a política e o poder do dinheiro em geral. A política é em princípio superior ao poder do dinheiro, mas na realidade tornou-se seu escravo...
[...]
É a partir das próprias entranhas que a sociedade civil gera incessantemente o judeu. Qual a verdadeira base da religião judaica? A necessidade prática, o egoísmo...
[...]
O dinheiro é o ciumento deus de Israel, a cujo lado nenhuma outra divindade pode existir. O dinheiro rebaixa todos os deuses do Homem e transforma-os em mercadoria. O dinheiro é o valor universal e auto-suficiente de todas as coisas. Consequentemente destituiu todo o mundo, tanto o mundo humano quanto a natureza, do seu próprio valor. O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do Homem; essa essência domina-o e ele presta-lhe culto e adoração. O deus dos judeus foi secularizado e tornou-se o deus deste mundo. O câmbio é o deus real dos judeus. O seu deus é apenas o câmbio ilusório. A percepção que se obteve da natureza, sob o império da propriedade privada e do dinheiro, é o real desprezo, a degradação prática da natureza, que existe de fato na religião judaica, mas só na imaginação. É nesse sentido que Thomas Munzer declara intolerável que toda a criatura se tenha transformado em propriedade – os países, as aves no ar, as plantas na terra. Também a criatura se deve tornar livre. Até a própria relação genérica, a relação entre o homem e a mulher, se transforma em objeto de comércio! A mulher é trocada por coisas sem valor. O que se contém de forma abstrata na religião judaica – o desprezo pela teoria, pela arte, pela história, e pelo homem como fim em si mesmo – é o ponto de vista real, consciente e a virtude do homem de dinheiro. A nacionalidade quimérica do judeu é a nacionalidade do negociante e, acima de tudo, do financeiro. Sem base ou razão. A lei do judeu não passa de caricatura religiosa da moralidade e do direito em geral, dos ritos puramente formais de que o mundo do interesse pessoal se rodeia.
[...]
O judaísmo atinge o apogeu com a consumação da sociedade civil; mas a sociedade civil só alcança a sua perfeição no mundo cristão. Só sob a dominação do cristianismo, que exterioriza para o homem todas as relações nacionais, naturais, morais e teóricas, podia a sociedade civil separar-se completamente da vida do Estado, romper todos os laços genéricos do homem, estabelecer em seu lugar o egoísmo e a necessidade interesseira, dissolvendo o mundo humano num mundo de indivíduos antagônicos. O cristianismo deriva do judaísmo. De novo foi reabsorvido no judaísmo. Desde o início o cristão foi o judeu teorizador; consequentemente, o judeu é o cristão prático, e o cristão prático tornou-se de novo o judeu. Foi só na aparência que o cristianismo venceu o judaísmo real. Era excessivamente purificado, demasiado espiritualista para eliminar a crueza da necessidade prática, a não ser elevando-a ao reino etéreo. O cristianismo é o pensamento sublime do judaísmo; o judaísmo é a aplicação prática vulgar do cristianismo. Mas essa aplicação prática só poderia tornar-se universal quando o cristianismo, enquanto religião aperfeiçoada, tivesse realizado, de maneira teórica, a auto-alienação do homem relativamente a si mesmo e à natureza. Neste momento que o judaísmo alcançaria o domínio universal e poderia transformar o homem alienado e a índole alienada em objetos alienáveis, próprios para a venda, na subserviência a necessidade egoísta e a traficância.

Na sua prática plenamente realizada, o egoísmo espiritual do cristianismo torna-se necessariamente o egoísmo material do judeu, a necessidade celestial muda-se em necessidade terrestre, o subjetivismo em interesse pessoal. A tenacidade do judeu tem de explicar-se não pela sua religião, mas pela base humana de sua religião - a necessidade prática, o egoísmo...
[...]
Logo que a sociedade consiga abolir a essência empírica do judaísmo – a traficância e seus pressupostos – o judeu torna-se impossível, porque a sua consciência deixa de ter objeto, porque a base subjetiva do judaísmo, ou ainda, a necessidade prática, assume uma forma humana e o conflito entre a existência individual, sensível ao homem e a sua existência genérica, é abolido. A emancipação social do judeu é a emancipação da sociedade a respeito do judaísmo.”

Moses Mordechai Levi.

Pintura de Gustave Doré, "O Judeu Errante".

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publicado por weber às 14:48
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