Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

José Pacheco Pereira: memórias éditas

Em Outubro de 1971 saí na Editorial Inova/Porto uma colectânea de TEXTOS POLÉMICOS visando um livro que, na época, deu brado: "Maio e a crise da civilização burguesa", de António José Saraiva.

Os autores que assinaram aqueles "textos polémicos" foram, a saber: Daniel G. Paulo, Jofre Amaral Nogueirra, José Pacheco Pereira, Mário Sottomayor Cardia e Zeferino Coelho.

Cada um destes autores fez o seu percurso civico, politico, profissional próprios; uns estão vivos, outros já se passaram.

O que os unia, na época, era um "marxismo" exarcebado e, vistos e lidos a esta distância, de pacotilha e da mais banal vulgata.

Não é minha intenção depurar, ou analisar, ou sequer desconstruir TODOS os textos.

Só me interessa o texto de JPP.

O incipit do texto de JPP é todo um programa:

«UM LIVRO PARA QUEIMAR

"É preciso manter uma linha bem nítida entre nós e o inimigo."

MAO TSÉ-TUNG»

E começa assim o autor:

" O marxismo criou uma linguagem específica através da qual elaborou uma concepção científica do mundo e das coisas, levantou a exigência da prática como critério de verdade e instituiu-se não como pretenso saber universal mas como a conquista teórica de uma classe concreta: o proletariado."

Esta teorização não surprenede, como todo o corpo do artigo não espanta.

Era o pensamento dominante das élites progressivas, fossem elas pró-soviéticas, euro-comunistas ou maoocidentes.

O que ainda hoje espanta é o remate final do artiguinho de José Pacheco Pereira:

« Da recusa da teoria passa-se à recusa da prática correspondente, e tudo neste processo é pelo menos coerente, embora muito pouco sólido. Como contestação do marxismo "Maio e a Crise da Civilização Burguesa" não traz sequer argumentos novos, tudo já se pode ler noutros locais e muitas vezes com uma coerência mais firme. O livro de A.J.S. é portanto mais um livro para ler atentamente e queimar. Nada mais.»

Dir-me-ão: o livro é datado!

Que tem de ser ligo no contexto histórico.

Na circunstância do homem.

Mas como bem dizia Ortega y Gasset:-Eu sou eu e as minhas circunstâncias...

Ora bem, tirante as circunstâncias, fica o homem.

Esse, José Pacheco Pereira, qual Torquemada, qual façanhudo estalinista, ou labrego fascista , reinvidica, como unico destino possível para o livro de António José Saraiva, o fogo: "(...)ler atentamente e queimar."

Não vos parece que, mesmo hoje, ao ouvi-lo ou até ao lê-lo, não se sente essa pulsão inquisitorial maoocidental de TUDO, com quanto não se esteja de acordo é para  queimar e asegurando a atitude de "manter uma linha bem nítida entre nós e o inimigo"?!Sempre.

Mesmo quando eles se "despadram" - fica-lhes sempre a matriz, os tiques e as pulsões.

J.A.

 

 

 


publicado por weber às 16:30
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