Sábado, 13 de Novembro de 2010

A "revisita"

De quando em vez, gosto de me revisitar.

Hoje tropecei num pequeno post que, faz tempos, escrevinhei.

O pretexto foi um prémio atribuido ao nosso maior historiador, o que reinventou Portugal, José Mattoso.

Em 2007 José Mattoso foi galardoado com o prémio Troféu Latino.
Disseram-lhe, pedindo-lhe a aceitação para o dito, que podia, aceitando-o, levar á cerimónia de entrega, alguém que falasse, sem formalismos, sobre ele.
Escolheu, de imediato:
1/Aceitar o prémio pela qualidade do mesmo e pela excelência da instituição que o atribuía;
2/Convidar o actor Luís Miguel Cintra, para dele falar, sem formalismos.
Mas não é disto que quero falar, nem sequer do meu Mestre José Mattoso (ele não o sabe, nem é sequer importante que o venha, algum dia, a saber:é meu Mestre à distância, por exemplar, como Historiador e Homem!).
Nesse "evento", de entrega do prémio, falou, pois, LMC e falou, após, Mestre José Mattoso que, num belíssimo trecho deixou plasmado este pedaço de prosa, que convosco quero partilhar: pela prosa, pelo seu significado e pela grandeza do homem e do sábio que assim é capaz de prosear!
(...)"Muitas vezes me apeteceu dizer, como o profeta Elias quando iniciou a sua caminhada no deserto e, cansado da sua luta contra a idolatria, pedia a Deus a morte:«Já basta, Senhor, pois não sou melhor do que meus pais»[1 Reis, 19.4]. Também nós, quando recordamos as esperanças dos anos 60, e as comparamos com a actual multiplicação da violência e da injustiça, perguntamos para que valeram os nossos esforços. Mas, se, ao olharmos à nossa volta, nos sentirmos irmãos dos atormentados pelo desejo de verdade, irmãos dos desesperados pelas suas próprias contradições ou inseguranças, e formos capazes de descobrir, nascidos, não se sabe como, neste mundo sombrio, os que persistem em cultivar a infinita variedade de formas que revestem o amor, a justiça, a esperança, a beleza, a alegria, a paz; e se aprendermos a ver, com os que sabem olhar através da espessa camada da vulgaridade quotidiana, a maravilha do que é justo e simples, deixamos de lamentar a frustração das esperanças. Luís Miguel Cintra não fez outra coisa, ao longo destes quarenta anos, senão mostrar isso mesmo, na sua intemporalidade, sob as aparências mais inesperadas e mais tocantes. Devo-lhe a percepção desse olhar capaz de descobrir os lugares escondidos onde se refugia, no seu último reduto, a verdade do homem." (...)
Este é o meu Mestre.
Esta é a minha esperança.
Este é o Homem!

publicado por weber às 11:28
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