Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

Das citações

Conta-se, creio que nos tempos da Constituinte, em 1975, que o deputado socialista, José Luís do Amaral Nunes, eleito pelo circulo do Porto, cansava os seus colegas com chusmas de citações, de mais variados autores, denotando sabença "excessiva", pensava o deputado comunista, eleito por Coimbra, Vital Moreira. Este um belo dia acercou-se de José Luís Nunes e, em surdina, "ameaçou-o":- Um destes dias confrontou-o com o autor citado. Ao que o homem do Porto retorquiu:- Atreva-se!

Esta historieta vem a propósito da curiosa crónica do luso angolano com banca montada no DN e a pretexto de citações trocadas.

Apanhados: Sarkozy e de Hollande.

Saboreiem-na inteira:

"Nada como a França para nos ilustrar. Ainda no domingo, François Hollande, candidato socialista às presidenciais, citou Shakespeare e o Presidente Sarkozy citou Blaise Pascal. E, reparem, não falamos de um Mitterrand, que se cercava de artistas e filósofos, nem de um De Gaulle, autor de Memórias de Guerra, um clássico da língua francesa: Hollande é tido por apagado homem do aparelho, e Sarkozy por um arrivista com gosto pelo bling-bling. E, no entanto, em discurso que marcava a sua candidatura, Hollande citou, nomeando-o, Shakespeare: "Eles fracassaram porque não começaram pelo sonho." Os adversários ficaram arrasados com a tirada do Bardo de Stratford-upon-Avon, bom de palco e ainda melhor naquelas frases que duram séculos: "Todo o escravo tem na mão o poder de quebrar a servidão" (em Júlio César), "Ser ou não ser: eis a questão" (em Hamlet)... Procurou-se a obra onde o socialista foi beber a tal frase e encontrou-se: The Vision of Elena Silves, de Shakespeare, mas um errado, Nicholas Shakespeare, jornalista da BBC (e o livro é um romance de 1989). Este Shakespeare foi entrevistado ontem pelo Daily Telegraph e estava encantado com a confusão, claro. Por seu lado, Sarkozy disse citar Pascal: "O homem tem tudo organizado para que ele esqueça que vai morrer." Ontem, o jornal Libération garantia que a frase não existe na obra de Pascal. Tempos modernos: nem com grandes fiadores podemos acreditar nos políticos."


publicado por weber às 16:15
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