Segunda-feira, 10 de Maio de 2010

Joaquim Vital: 1948-2010

 

Dizem os jornais, que o editor português, sedeado em Paris, com um casa de referência, La Difference, apagou-se ontem, repentinamente, num café de Lisboa.

Esta ocorrência daria uma boa história.

As "biografias" que se publicaram são TODAS  adjectivantes e hagiográficas,  mas, todas elas, incompletas.

Retiveram o brilho dos últimos anos deste editor e "esqueceram-se", por ignorância ou incompetência TODA a história deste mestre editor.

Conheci e trabalhei para ELE em Bruxelles onde começa, em 1970, a sua primeira experiência como editor.

Jovem, refugiado politico, ostracizado (por que, jovem militante do PCP, preso, terá "delatado"...o que, na época, pesava como nódoa indecorosa) refugiou-se na intelectualidade belga.

A chancela que criou então, et pour cause, LA TAUPE.

Tinha como colaboradores de topo um anarquista, professor universitário e um economista, brilhante, estalinista.

Publicou livros de Estaline, de Trotsky, de Bakounine, de Maurice Dommangeot, sobre a Comuna de Paris.

Eu fui co-copy desk do "verdadeiro" Livro Vermelho de Mao Tsé Tung.

Incompetente, então, nesta industria, pois acreditava que as tipografias podiam esperar pelo pagamento das obras e que, os livreiros, pagavam os livros à cabeça, deixou-se arruinar.

Mas, antes disso, manteve diversos colaboradores à mingua de salário.

Ficou-me a dever, a mim, somente, quase 200 mil francos belgas (em 1971 a cotação do escudo andava pelos cinco francos belgas).

Já editor de sucesso, em Paris, em 1992 enviei-lhe o rol das dívidas de Bruxelles. Nunca teve a delicadeza de me responder.

Depois de LA TAUPE dedicou-se, tendo "fugido" para Paris, à edição de livros de arte a partir de operações  expeditivas aos museus da cortina de ferro (Checoslováquia, designadamente...) onde, ilegitimamente, fotografava obras de arte, que depois integrava nos seus livros.

Homem de uma cultura imensa.

De uma vontade férrea, que metia medo.

Mas homem sem carácter, hipócrita, seráfico, gélido, desumano, maquiavélico, egoista, sem honra.

Ainda haverá em Bruxelles quem recordará este Joaquim Vital que aqui deixo "pintado": Stpehane Hautefene, Alain Caneel, Nadia Vanthournoute, Achille Vanthournoute, etc e outros já falecidos.

É curioso que este "príncipe", "Orson Welles dos livros" como aparece no obituário hagiográfico que dele publicaram se tenha "esquecido" dessa experiência editorial bruxelense (já célebre, nunca dela falava e a ela se referia) e que nenhum dos seus "biógrafos" tenha tido a curiosidade de investigar.

Há muitas biografias truncadas.

Há muitas histórias mal contadas.

Esta que os jornais narraram de Joaquim Vital, no dia após a sua morte é, no mínimo, incompleta.

Veja-se aqui o texto do diário Publico.

Aqui se deixa um capitulo  pouco conhecido e menos contado da vida do editor Joaquim Vital, mas, propositadamente, ele, também, incompleto.

Sobre a estada bruxelense do grande editor, que ontem nos deixou, tenho muito, mas mesmo muito, para narrar...que matiza e enternece, disso tenho consciência, as cores vibrantes que ele adquiriu por Paris, durante mais de trinta anos.

 


publicado por weber às 16:14
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