Terça-feira, 2 de Agosto de 2011

O PCP nos dois primeiros anos pós revolucionários

Num bem fundamentado e enquadrado estudo académico, Raquel Varela da Universidade Nova, sustenta uma quase tese: o Partido Comunista na época era um partido da ordem e do progresso.

Admirados?

Leiam o livro que vale a pena.

Editado pela Bertrand e é a transcrição de uma tese de doutoramento.

Vejam esta citação, de autores a quem a escritora adere:

"A luta pela unicidade sindical foi, nas palavras de Maxwell, a luta pela aprovação de legislação que assegurasse « o controle comunista sobre a classe trabalhadora organizada» (Maxwell, 1999: 129).

"Schmitter considera-a mesmo uma continuação da politica corporativa do Estado Novo para o movimento operário: «A Intersindical (...) é um dos elementos-chave do poder social do PCP (...) Apropria-se e perpetua a maior parte das características do sistema corporativo português: monopólio legal da representação, quotizações obrigatórias, controle ministerial sobre as irregularidades aquando das eleições sindicais, fragmentação sectorial, divisão geográfica, autoridade vertical do tipo hierárquico, séria restrição do direito à greve. Depois de se terem apoderado rapidamente desta estrutura quase intacta, os comunistas puderam utilizá-la tanto para arrancar avultados aumentos de salários aos empregadores privados e públicos como, a seguir, para abrandar a onda de greves que ameaçava paralisar a produção. Contrariando todas as paragens de trabalho e mesmo o 'saneamento' de alguns directores quando a iniciativa não partia dela tornou-se num dos raros elementos de disciplina e de controlo social no Portugal liberto. Tornou-se também eficiente em matéria de organização de manifestações de massa do PCP em Lisboa acerca de questões capitais» (Schmitter, 1999- 217-218)».

"O PCP, diz a autora, levou para a Intersindical uma concepção burocrática de sindicalismo em que a construção do próprio aparelho sindical, o seu financiamento, os seus funcionários são estratégicos, porque constituem um sustentáculo da organização partidária."

Trabalhei cinco anos nos sindicatos comunistas, de 1975 a 1980, exactamente neste período de consolidação do poder comunista na Intersindical, nas Uniões Sindicais, nas Federações e, nos Sindicatos sectoriais, propriamente, ditos. Militei ainda no sector sindical até 1985, a partir do partido, dos seus interesses especificos. Um dia falaremos disso.

Qualquer das abordagens, da autora e dos autores citados, são não só rigorosas, como ilustrativas de uma concepção de Estado, de poder, que, se tivesse tido êxito em Portugal, era a desgraça do país e do povo.

Veja-se, mutatis mutandi, a actualidade. A Intersindical sovou até á exaustão os governos socialistas, adversário principal (que, historicamente, se confunde já com o inimigo principal...) de Sócrates. Vamos observar o comportamento desta gentinha com o governo de direita...O que quero dizer? Simples. Vai haver menos conflitualidade social, vão ser "comprados" como o foram ao tempo de Cavaco Silva, que se gabou faz pouco tempo de ser "um acérrimo defensor da concertação social".

Para o PCP a Intersindical sempre foi "instrumental" nunca alavanca estrutural, para a melhoria das condições de vida ou de sociedade.


publicado por weber às 11:35
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