Domingo, 7 de Agosto de 2011

"O pó dos impérios"

Em finais de 2008, sob a impressão que me tinha provocado um livro de um casal de jornalistas americanos sobre a situação no Afeganistão, em perspectiva histórica e cujo titulo tinha tomado de empréstimo ao general De Gaulle "O pó dos impérios" escrevinhei modesto texto sobre o fim do "império" americano. Se lhe pusermos uma pitada de divida soberana, de arrefecimento da economia, de lideranças canhestras, tanto nos USA (nem estou sequer a falar de Obama, mas das lideranças republicanas...) como na UE, acho que o texto vale ainda por si:

"Os impérios afirmam-se, emergem, constituem-se, atingem o clímax quando combinam poderio económico, liderança tecnológica e supremacia militar. Aconteceu assim com Roma, com Portugal e Espanha, com a Holanda e, num período largo, com a Inglaterra - desde os finais do século XVI até aos meados do século XX. O império de Napoleão Bonaparte é outra coisa, singular, quase um epifenómeno, mas, ainda assim, Império! Depois da segunda guerra mundial, os USA lideraram, a par com a URSS, num equilíbrio de terror nuclear, com uma coexistência "pacifica", com geografias de influência bem definidas. Depois de 1986, com a implosão, a ocidente, do império eslavo - temos uma única potência imperial: os USA. Hoje, o que está a acontecer? Temos os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), aos quais se pode, na África austral, acrescentar a África do Sul, designadas por potências emergentes, a firmarem-se economicamente. Veja-se o poderio produtivo, comercial e de mercado da China. A operação marqueteira em que se transformaram os XIX Jogos Olímpicos de Beijing aí estão para demonstrar a vontade férrea dos dirigentes chineses em mostrarem ao mundo o seu PODER ECONÓMICO. Os USA enredaram-se em guerras ineficientes (Iraque e Afeganistão...), descobriram a guarda na América Latina, estão a perder, claramente, no extremo oriente e, actualmente, estão a ser desafiados no Cáucaso pela potência emergente, a Rússia, a única que pode "disputar" a liderança militar ao velho Leão estado-unidense, ferido, a perder na economia, no sistema financeiro mundial e na liderança política. Os dados ainda não estão todos lançados, mas que se sente, nos USA, o fim de festa, o encerrar do "império" - lá isso sente-se... Quem virá disputar, seriamente, a liderança? Quem será a próxima potência imperial? Ou serão mais que uma, partilhando, ao modo do século XV/XVI, o mundo? Sente-se, hoje com muita força, como o afirmou Charles de Gaulle, quando a França estava a apanhar pancada na Indochina, na Argélia e na África ocidental, ali pela década de 60 do século XX, " O PÓ DOS IMPÉRIOS"! Isto é bom para o mundo? Não faço nem um pouco de ideia. Contudo, o que sei é que a HISTÓRIA, tal rio caudaloso, corre sempre de montante para jusante, da nascente para a foz e, de modo geral, desagua no MAR imenso do nosso futuro, que, ao modo dos poetas, desejo que seja futurável para a humana Humanidade!"

O ditador eleito da Venezuela, Hugo Chavez, de modo um pouco rude interpretou o sentido da história e, misturando-o com o seu desejo de ver a morte do império americano e do dólar...disse-o assim mesmo, ainda hoje, numa espécie de análise da crise que assola os USA.

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publicado por weber às 16:25
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