Terça-feira, 10 de Agosto de 2010

História e opinião

 

Na morte de um grande "historiador", Tony Judt, judeu, intelectual "engagé", ao modo francês, de causas e que tomava partido, suscitou vários comentários. 

Rui Bebiano assume-se, quase como seu prócere;já o Eduardo Pitta assume-o, prudentemente, como o seu historiador preferido;já o João Pinto e Castro assume-se, claramente, como não sendo fã do dito historiador, vedeta em Inglaterra e nos USA, mesmo tendo o lobby "sionista" contra ele.

Mas quem lhe traça o retrato em corpo inteiro, colorido, é o meu estimado Pierre Assouline e fá-lo de um modo exemplar.

Sabe-se que Judt era judeu e, ultimamente, anti-sionista, com argumentos estapafúrdios :-Tanta Shoah vira-se contra os judeus. Sabemos que Pierre Assouline é magrébino e "partidário" da causa palestina, anti-sionista, mas nunca se deixando cair em infantilidades. É, sobretudo, um ocidental, cultor dos valores absolutos dos direitos humanos.

Não terá sido por acaso que o texto de "passou" começa, exactamente, por um testemunho pungente do homem, Tony Judt, vitima de uma doença rara, que ele tentou combater, mas que o derrotou.

É um texto notável, que eu reproduzo, por que impactante:

«“A quoi servent pensées et souvenirs quand, jour et nuit, la souffrance vous prive de l’usage de vos membres ?. Je souffre d’une affection du motoneurone, en l’occurrence une variante de la sclérose latérale amyotrophique (SLA) : la maladie de Charcot. Les affections des neurones moteurs sont loin d’être rares : la maladie de Parkinson, la sclérose multiple et une série de maladies moins graves entrent dans cette catégorie. Ce qui distingue la SLA - la moins commune de cette famille d’affections neuromusculaires - est tout d’abord qu’elle n’entraîne aucune perte de sensation (ce qui n’est pas forcément une bénédiction) et, deuxièmement, qu’elle n’est pas douloureuse….”»

O texto de Passou vale a pena por que percorre a vida do historiador, polemista, controverso, mas sempre com publico, por razões conhecidas.

Personagem incontornável do século XX, sobretudo da segunda metade.

O texto do magrébino Pierre Assouline põe as coisas no seu lugar. Isso é reconfortante e apaziguador.

 


publicado por weber às 10:43
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