Sábado, 3 de Abril de 2010

Cerejeira: "O príncipe da igreja"

Um interessante retrato de uma das figuras mais importantes do século XX português que, além do mais, coincidências à parte, era amigo e acompanhou Oliveira Salazar desde Coimbra, ainda em plena 1.ª República.

A tranquilidade e a suavidade dos traços que Irene Pimentel, grande historiadora da nossa contemporaneidade (sobretudo do século XX) utiliza para nos "mostrar" em sequência temporal o homem no seu terroir, o estudante, o seminarista, o estudante em Coimbra, o Professor Universitário, o despojado clérigo e a subida fulgurante na hierarquia da igreja católica atravessa todo o livro.

É um retrato singular, exigente, sem reproduzir as caricaturas que o anti-fascismo militante produziu deste príncipe da igreja.

Quem quiser saber mais sobre o fascismo português e, particularmente, quem carecer de entender o papel da Igreja Católica durante os 43 anos de Consulado Salazarista em Portugal, as relações entre César e Deus, entre os dois amigos coimbrões, militantes conservadores católicos e monárquicos, mas ambos pragmáticos, com idiossincrasias diversas, obriga-se a ler este livro escrito com rigor e com uma elegância narrativa, que se enaltece e agradece.

A escrita da história deve combinar o tempo (coisa que Irene Pimentel faz primorosamente) e a narrativa (que a historiadora domina com elegância e com riqueza linguística).

Um grande livro de história.

Um documento imprescindível para entender a Igreja Católica no século XX português.

Imperdível.

J.A.

PS - De notar o silêncio ensurdecedor dos recenseadores , guardiães da memória do século XX em Portugal, sobretudo do fascismo vs. antifascismo: os blogs do costume, que se zangaram com a historiadora e que a "silenciaram" editorialmente.

Tão ladinos a elogiarem-se endogamicamente, entre os próceres, entre os amigos e tão lestos a colocarem no índex quem se afastou ou foi afastado: tiques antigos.

Não se compreeende, mas que denota mesquinhez, perdoem-me, mas lá isso denota.

A não perder, ao invés, este post recenseador do Eduardo Pitta publicado no seu Da Literatura.

 


publicado por weber às 20:16
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