Terça-feira, 12 de Julho de 2011

Um retrato do funcionalismo público

A jornalista do jornal i, Kátia Catulo, publica trabalho limpo, e interessante, sobre a relação chefias e número de trabalhadores agregados, na função pública.

Falta-lhe, a meu ver, e só, a perspectiva histórica.

Ver-se-ia os saltos de cavalo, na emergência de trabalhadores e, sobretudo, de chefias no consulado de dez anos de Aníbal Cavaco Silva que, contrariamente ao nosso poeta Fernando Pessoa e a Cristo, que nada sabiam de finanças, é "experto" na matéria.

Leia-se por aqui.

Mas, veja-se a evolução:

Mário Soares deixa o Governo, em 1985, com 464 321 funcionários públicos;

Cavaco Silva, o "experto", deixa o governo, em 1995, com 647 893 funcionários públicos nos quadros efectivos, mais dezenas de milhar...com contratos a prazo, que Guterres tem de integrar e efectivar;

António Guterres ainda assim engorda, um poucochinho, o Estado e deixa o governo, em 2002, com 778 782 funcionários públicos.

Passando por cima dos governos de Durão Barroso e Santana Lopes, que engordaram o Estado em algumas dezenas de milhar, José Sócrates deixa o governo, em 2011, com 737 774 funcionários públicos.

Ao artigo da jornalista faltaram apenas, e só, estes dados.

Aqui ficam.

Mas, à fortiori, esta afirmação da jornalista, que incorpora o artigo, é deveras interessante:

«No outro extremo está o Ministério da Administração Interna (MAI), que tutela a PSP, e atinge o rácio de um chefe para cada 212 trabalhadores. Números que são explicados pelo facto de nos dados consultados pelo i apenas se contabilizarem os dirigentes superiores e intermédios e, no caso das polícias e também na GNR, os cargos directivos assumirem outra denominação. A Saúde surge logo a seguir com uma média de um director para cada 123 funcionários

Foto - Cavaco Silva, o engordador-mor, ao tempo em que estava primeiro-ministro.

Adenda

De leitor, devidamente, identificado chegou-me este Email, que é contributo interessante para este debate e para responsabilizar, desgraçadamente, o sr. Silva de Boliqueime:

'Olá,

Desculpe o atrevimento deste email.
Leio regularmente o seu blogue, concordando com a generalidade das suas opiniões.

Serve este para "acrescentar" o seu postal, um retrato do funcionalismo público.

No primeiro governo Guterres fui convidado para Director de um Hospital. Aceitei

Mas vamos ao que interessa.

Uma das grandes preocupações que tive, - o mesmo se passou em todos os organismos públicos -, foi regularizar a situação de centenas de trabalhadores do hospital que estavam há mais de 3 anos a recibo verde e, segundo a lei, tinham de ser admitidos na função pública.
Na prática quem os tinha admitido tinha sido Cavaco e o seu governo, mas quem regularizou a situação foi Guterres e o seu governo.

Sendo assim, estes milhares de trabalhadores distribuídos por todo o país, deveriam ser contabilizados nas admissões de Cavaco e não de Guterres.

Não discuto se foram bem ou mal admitidos.
Nuns locais bem, noutros menos bem, e noutros, provavelmente, mal.

Perdoe o abuso do seu tempo.
Continue, não desista, mantenha o seu blogue bem vivo!
Nestes tempos neo-liberais, em que o capitalismo financeiro especulativo manda, é sempre necessário a voz dos que resistem.

Cumprimentos.' 


publicado por weber às 11:34
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