Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011

Os apaches

Diz-se que eram uma tribo de aborígenes da actual América do Norte, dizimados pelos ocupantes europeus.

É singular os falecidos alberguistas terem escolhido uma nova "marca" para a sua bloga: "forte apache".

É uma simbólica como outra qualquer, mas de certo que  não é irrelevante a escolha, pois misturam índios e cowboys.

Escolhas à parte, continuo a considerar o meu fraterno José Adelino Maltez e a respeitar o Pedro Correia, urbano, elegante, mas duro a argumentar no seu campo político-ideológico, que não é o meu.

O monárquico Adelino Maltez é forte em retórica e bom na substância das coisas.

Há quem não goste dele.

Eu, mesmo quando dele discordo, aprecio-lhe o fino traço e, sobretudo, a elegância de não atacar o carácter dos actores políticos. É mesmo muito raro quando a eles se refere, salvo para aproveitar as metáforas que alguns deixam cair nos caminhos pedregosos da praxis.

O último texto dele é quase um manifesto, ao qual adiro sem reservas mentais e por isso aqui o deixo lincado.

E pronto a ser saboreado:

«Para os devidos efeitos, confesso que, por não poder ter partido, com estes a que chegámos, estou condenado a ser comentador político, embora não divida o mundo entre os que são adeptos de Mendes Bota e os que foram à Festa do Avante, porque tanto não tenho tolerância zero face ao presente governamentalismo, como também não visiono a política como luta entre amigos e inimigos. Prefiro continuar a discutir os novos deuses, as velhas pátrias, as antigas constituições e os eternos impostos contra as famílias e os indivíduos. Se reconheço como excelentes os economistas que nos presidencializam, primo-ministerializam e ministerializam, tenho dúvidas e até me costumo enganar. Daí que não goste de ser enrolado pelos que fingem que há previsões e cenários sobre o princípio do fim, quando ainda estamos no mero fim do princípio e continua a faltar que, nos princípios, estejam os verdadeiros fins!Problemas económicos e financeiros como os desta encruzilhada só se resolvem com medidas económicas e financeiras. Mas não apenas com as medidas económicas e financeiras de um memorando negociado por Sócrates, face à coacção das circunstâncias e com algumas reservas por parte dos que assinaram o texto. Tenho a ilusão de acreditar que, a partir de segunda-feira, o novo líder do PS pós-socrático poderá ter várias reuniões com o chefe do governo sem exigir a presença de testemunhas, para que não se reduza o consenso dos tais 85%, que são qualitativamente melhores que o absolutismo curto da mera aritmética parlamentar. Daí detestar que alguns activistas da teatrocracia exagerem nos argumentos de rábula, os tais que podem gastar-se pelo mau uso e transformar-se em caricatura, quando for inevitável uma adequada maioria constitucional. Já conheci muitos desses excelentes que, depois de desusados, passam a prostituir-se pelo abuso do espectáculo. Como sempre fui céptico face aos programas que estão na base deste governo, continuo entusiasta face aos velhos princípios liberais, que estão à esquerda do PPE e à direita do socialismo europeu. Prefiro recordar que, para vencermos o Adamastor, sem morrermos na volta, é inevitável a geometria política e social de um acordo de regime, para que nenhum piloto do futuro tenha a amargura de poder tornar-se no coveiro do regime."


publicado por weber às 09:09
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