Quinta-feira, 23 de Junho de 2011

Francisco José Viegas e a sua circunstância

 

O ainda não empossado, mas já "nomeado" Secretário de Estado da Cultura explica, longamente, à agência LUSA o pensamento do actual primeiro-ministro sobre o pequeno "organograma" do actual governo.

Sabíamos que, para sinalizar o despojamento e a poupança em tempo de crise, Pedro Passos Coelho afirmou que, se fosse governo seria líder em bem gastar e melhor poupar. Disse que queria governar com dez ministros. O seu parceiro obrigou-o a onze. Para dar o exemplo, disse-o, assumiria a pasta da Cultura.

Isso sabíamos nós.

FJV vem, entretanto, dar-nos uma outra explicação. S. Excelência, o primeiro-ministro de Portugal, homem sabedor da e de cultura, empresta-lhe uma componente primordial, fundamental, o seu carácter transversal. Daí o ficar com esta pasta, dado que é o primeiro...coordenador e mandador. Vamos pois ter uma Cultura de primeira linha, com mais dotações, mais eficiência, mais...para rir!

O que sabemos de Passos Coelho e a cultura? Que esteve, em primeiras núpcias, casado com uma cantora integrante de uma girls-band de sucesso, "As doce" (bem bom/ quatro da manhã/ bem bom...). Sabemos, também, que é cultor do canto lírico e que tem voz de barítono. Ou, melhor dito, indo ao étimo grego, "que não tem voz". Não o vimos no teatro, pouco no cinema, não o sabemos leitor compulsivo (como sabemos de Paulo Portas, como sabíamos de António Guterres, de Diogo Freitas do Amaral, escritor, dramaturgo, melómano fervoroso...). De Passos Coelho, pouco sabemos dele e da sua circunstância cultural.

De FJV sabemos quase tudo, no território das literaturas e do mundo literário, que frequenta e que ajuda, em cada dia, a enformar. Sabemos pouco, ou nada, quanto às artes performativas, que são as subsidio-dependentes do Estado: o teatro, a dança, a música, o cinema e a televisão, como meio cultural. Temos ainda o património construido, a sua conservação, temos...mas pouca literatura nas competências da Secretaria de Estado da Cultura. Talvez no Ministério, em S. Bento...talvez.

Leia-se aqui das banalidades proferidas pelo nomeado, mas ainda não empossado, S.E.C.

Esperemos, espero bem, que o seu consulado não seja uma seca.

Mas, que começou "bem", lá isso não o podemos negar.

Entretanto recuperei uma parte de uma entrevista dada em 2007:

«[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 4 de Agosto na série Farpas do Jornal de Notícias]
Já recuperou o computador que lhe roubaram em Julho no aeroporto de Maiquetía [Venezuela]?
Os computadores nunca se recuperam. Comprei outro e, agora que não é preciso, faço back-ups todas as semanas.

Qual foi a primeira coisa que o preocupou ter perdido: os apontamentos do seu novo romance de que não tinha 'back-up' ou a imediata confiança dos venezuelanos?
O que tinha lá escrito. Os venezuelanos são gente muito boa.

O seu desassossego com a tentação autoritária da Venezuela de Chavéz é ético e que mais?
Gastronómico. Tenho medo que ele queira uma alimentação socialista. Na Venezuela come-se maravilhosamente em restaurantes anti-chavistas. A "boliburguesia" chavista já descobriu os "amuse-bouche" e passa o tempo em Miami a aplicar o dinheiro do "socialismo do século XXI". Sabe qual é o problema? É que, daqui a uns anos, quando Chávez esticar o pernil, o dinheiro do petróleo ainda não chegou aos pobres.

Levou a sério Saramago na fatalidade de termos que nos integrar em Espanha?
Não. A realidade ultrapassa-o. De resto, hoje, um dos desportos favoritos dos portugueses chama-se "tiro no Saramago". Já foi tempo. Agora não dá gozo.

Diz que o PSD de hoje está reduzido a uma sala de espera. De que especialidade médica concretamente?
Devia ser apenas ortopedia mas, infelizmente, trata-se de um complexo problema de clínica geral: desde más-digestões a disfunção eréctil. É uma pena, porque o PSD merecia mais. Ideias, por exemplo

Com a chegada do "messias", P.P.C. à presidência do PPD/PSD, passou a haver ideias?
Perguntar não ofende, pois não?
Nesta altura (data da entrevista) ainda estava director da Casa Fernando Pessoa, propriedade da Câmara Municipal de Lisboa, cargo para o qual tinha sido convidado, pelo Professor Carmona Rodrigues (PSD...), em 2006, e reconfirmado, em Julho de 2007 pelo então eleito Presidente do Município lisboeta, António Costa (PS).Esteve neste cargo até finais de 2008.
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publicado por weber às 06:15
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