Sábado, 7 de Novembro de 2009

José Pacheco Pereira: "Revolucionário uma vez... revolucionário para sempre"

No debate sobre o programa do governo, o deputado do PSD, eleito pela Marmeleira, distrito de Santarém, interveio para dizer o óbvio:- Senhor primeiro-ministro, daí de onde nos vê, só o senhor é que não vislumbra que o único grupo parlamentar que encolheu foi o do P.S. Os outros, ou cresceram ou mantiveram.

Ora bem, de um arguto polemista, de um denso pensador, esperava-se mais, muito mais.

O que disse o estudioso do comunismo de Cunhal foi mais do que o óbvio.

Os tiques que manifestou foram, quer agrade ou não aos saudosos revolucionários, ex-pcp's ou ex-mpla's, os gestos vindos da militância revolucionária.

As palavras são como as ostras, só depois de abertas, sabemos se têm pérola.

Esta, que Sócrates lançou em direcção a José Pacheco Pereira foi considerada, por muitos, um erro, uma manifestação de primarismo, "troglodita", ou até, como desajustada, pois que, nos idos de 1972, a J.P.P. lhe caia muito bem tal qualificativo, por que lutava pela liberdade e contra a ditadura.

Vamos falar sério e a sério.

Paul Ricoeur, um dos maiores filósofos do século XX, Director de Nanterre, à época dos acontecimentos do 22 de Março de 1968, que despoletou o Maio de 68, mas nunca contestado  pelos estudantes, definiu como os pais da alta escola da suspeição, três monstros do saber contemporâneo: Segismundo Freud, Frederico Nietzsche e Karl Marx.

Estes seriam os responsáveis pelas grandes "perversões" da actualidade, por que revolucionários.

Freud descobriu, para nos envenenar, um mundo escondido da pulsão sexual.

O outro, Frederico, inventou o "super-homem". Finalmente, o Marx descobriu a razão única da "classe operária", da revolução como "alavanca da história" e da "violência, como parteira do futuro, da história".

Ora aqui temos, três monstros da "revolução", revolucionários, pois.

Em sentido contrário, sempre, militou Albert Camus, que cedo percebeu, e desse trilho nunca se desencaminhou, que o homem deveria estar em constante situação de "revolta", de indignação, de questionamento.

E isto, meus caros "ex-revolucionários", faz toda a diferença.

E, então, porque é que não me perturbou a invectiva de Sócrates contra Pacheco Pereira?

Por que, de facto, ele nunca deixou de ser revolucionário.

Salazar foi revolucionário.

Hitler foi revolucionário.

Mussolini foi revolucionário.

Chavez é revolucionário.

Cunhal foi revolucionário.

José Pacheco Pereira é revolucionário.

Surpreendidos? Nem por isso?

Vamos lá chegar. Só mais um esforço e estamos lá.

Quem o vê e ouve na "quadratura do circulo", quem tenha acompanhado a sua escrita militante ao longo dos anos, onde é que colhemos argumentos para o definir como não revolucionário?

J.P.P., como todo o revolucionário, escolhe um sistema de argumentos, muitas vezes casuísticos e toda a actividade adversária é devassada através dessas lentes intelectuais: os outros são inomináveis, por que não cabem nos nomes que ele inventou; os outros são imorais, por que não se quadram com os décalogos que ele cria.

Os anátemas que lança contra os seus adversários, no interior do PSD, como no exterior, ilustram à saciedade o seu perfil de revolucionário.

O erro, meus caros ofendidos e melindrados é terem confundido revolucionário com marxista, ou leninista, ou trotsquista, ou maoista.

Um revolucionário é, na sua essência, um moralista, um detentor da VERDADE, mesmo que esta seja conjuntural e se transforme por si, quando se está, como é o caso de JPP, na oposição, na actualidade, ou quando esteve no poder.

O revolucionário é o que agita sem cessar a VERDADE, não como ética, mas como categoria epistemológica.

É o que sempre fez J.P.P. desde os seus tenros 14 anos, no Porto, e NUNCA mudou.

Foi isso que José Sócrates disse ao deputado Pacheco Pereira do PSD. E nada mais que isto.

J.A.

 

 


publicado por weber às 12:34
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