Domingo, 5 de Fevereiro de 2012

O poeta que morreu num quiosque de jornais

É à volta desta aparente, insensata, digo eu, dicotomia que evolui a crónica deste domingo de Ferreira Fernandes.

"O jornalista levou uma abada do poeta", sustenta o jornalista do DN...e bem.

Creio ser o melhor texto que, nestes tempos de rememoração "pachequiana", se produziu sobre o tópico.

Podem apreciá-lo por aqui.

E inteiro, por mérito próprio:

"Esta semana, o poeta e jornalista Fernando Assis Pacheco faria 75 anos e foi homenageado. Ele morreu em 1995 - à montra ou dentro de uma livraria, a lenda varia. O crítico José Mário Silva diz que o escritor galego Torrente Ballester lhe dedicou frase épica: "Morreu junto aos livros, no seu posto, como soldado no campo de batalha." Trabalhei no semanário O Jornal, um dos jornais de Assis, mas não fomos amigos. Amigo foi José Cardoso Pires que, convidado a testemunhar num aniversário da sua morte, recusou: "Não falo. Tenho muito mau perder." Assis tinha olhos que sorriam, rasgados, na redação conheci camaradas fascinados pelo seu charme e sei que a amargura pela perda do amigo poderia ser dita por muitos (embora frase tão exata só de Cardoso Pires). Esta semana houve biografia (Trabalhos e Paixões de Fernando Assis Pacheco, de Nuno Costa Santos), documentário e muitos textos em jornais. Fiquei com a sensação de que o jornalista levou uma abada do poeta (não peço perdão pelo futebolês, Assis também foi cronista desportivo) - versos evocam-se melhor. E por isso estou aqui a protestar. A notícia certa seria: "Morreu frente a um quiosque..." Um dia, com ele vivo, Miguel Esteves Cardoso escreveu: "Obrigado a Assis Pacheco pelo favor de nos escrever." MEC falava do jornalista, fazedor de textos efémeros e em papel para o lixo. Agora, lidos os jornais e revistas da semana, e com ele morto, meço o favor que perdemos todos."


publicado por weber às 12:39
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